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7 motivos para assistir Wicked 2 nos cinemas e revisitar a magia de Oz

Por Natália Mancio

Wicked 2 é daqueles filmes que chegam aos cinemas carregando não só expectativa, mas também memória afetiva. Como alguém que já se emocionou no teatro assistindo ao musical Wicked em São Paulo, ver essa história ganhar uma continuação nas telonas é quase como voltar a Oz pela porta da frente, com ingresso marcado e coração preparado. E, desta vez, a viagem vem com um lembrete importante: nem tudo o que nos contaram sobre bruxas, heróis e vilões era exatamente verdade.

Logo de cara, Wicked 2 aprofunda a proposta que já havia sido apresentada no primeiro filme: recontar O Mágico de Oz pela perspectiva da Bruxa Má do Oeste, Elphaba, e da Bruxa Boa, Glinda. Em vez de repetir o olhar clássico sobre o bem e o mal, a trama nos convida a olhar de novo, com mais cuidado, para quem foi silenciado, distorcido ou transformado em “monstro” pela narrativa oficial. E é aí que o filme realmente brilha.

wicked 2

Um dos aspectos que mais me encantam nesse universo é como ele desmonta a ideia de que o Mágico é, de fato, grandioso. Em Wicked 2, a farsa fica ainda mais escancarada: Oz é um lugar construído sobre ilusões, discursos prontos e muita maquiagem política. O Mágico continua sendo esse homem por trás da cortina, manipulando medos e esperanças, enquanto Elphaba é empurrada para o papel de vilã simplesmente por não se encaixar nessa lógica. A pele verde, que sempre foi símbolo de estranheza, vira metáfora poderosa de diferença e resistência.

wicked 2
A luta do bem contra o mal se intensifica em Wicked 2

E já que estamos falando de cinema, é impossível não mencionar uma das curiosidades mais saborosas da história de O Mágico de Oz: os famosos sapatinhos. Na obra original, escrita por L. Frank Baum, os sapatos de Dorothy eram prateados. Foi só na adaptação de 1939 que eles viraram rubi, num movimento totalmente pensado para tirar proveito do Technicolor, o sistema de cores que revolucionava Hollywood na época. A mudança não foi apenas estética, virou símbolo. Em Wicked 2, esse elemento ganha novo contexto, conectado à trajetória de Elphaba e Glinda, e reforça a sensação de que, nesse universo, tudo é mais complexo do que aparenta.

sapatinho dorothy capa

Outro ponto que faz Wicked 2 valer a ida ao cinema é a relação entre Elphaba e Glinda. Se no primeiro filme (e no musical) acompanhamos o início dessa amizade improvável entre a garota popular e a jovem marginalizada, agora vemos as rachaduras. A amizade delas é testada por escolhas políticas, medos pessoais e decisões difíceis. Glinda precisa lidar com o peso de se manter do lado “aceitável” de Oz, enquanto Elphaba insiste em confrontar injustiças, mesmo que isso custe a sua reputação. A rivalidade que aparece em O Mágico de Oz nasce justamente desse ponto de quebra, e Wicked 2 trata esse momento com emoção, camadas e uma sensibilidade que vai além do rótulo “boa x má”.

A trilha sonora, claro, continua sendo um capítulo à parte. Quem já se arrepiou com “Defying Gravity” e se desmanchou em “For Good” sabe que a música é a espinha dorsal dessa história. Em Wicked 2, as canções seguem carregando os sentimentos mais difíceis de dizer em palavras: culpa, saudade, ruptura, gratidão. A sensação é de estar vendo um grande espetáculo no palco, mas com a vantagem do cinema: close nos olhos, cenários grandiosos, efeitos que ampliam a emoção. É aquele tipo de musical em que a gente sai cantarolando e, mais do que isso, pensando nas escolhas das personagens.

Wicked 2 é uma ponte

Como espectadora e fã, vejo Wicked 2 como uma ponte. De um lado, está o clássico O Mágico de Oz, com seus cenários icônicos, a estrada de tijolos amarelos, Dorothy, Toto e os tais sapatinhos vermelhos que nunca mais saíram da cultura pop. Do outro, está uma geração acostumada a revisitar histórias, questionar versões oficiais e buscar novas leituras para velhos mitos. O filme conversa com os dois públicos: quem cresceu com o clássico e quem está conhecendo esse universo agora, pela porta verde de Elphaba.

Por isso, meu convite é duplo. Se você ainda não viu o primeiro filme, vale procurar Wicked nos streamings e entrar de vez nesse universo antes de seguir para o cinema. Assistir na sequência potencializa a experiência, porque você enxerga a evolução das personagens, entende melhor as motivações de cada uma e percebe como pequenos detalhes plantados na primeira parte florescem em Wicked 2. E, se você já conhece a história, essa é a chance de reencontrar velhos conhecidos sob uma nova luz.

No fim das contas, Wicked 2 não é só sobre bruxas, magos e sapatos encantados. É sobre amizade, escolha, coragem e sobre a forma como histórias são contadas. É sobre quem ganha estátua na praça e quem vira lenda maldita nos sussurros. E é também sobre olhar para velhos clássicos com olhos novos, perguntando: quem escreveu essa versão? Quem ficou de fora dela?

 

 

Natália Mancio

Natália Mancio

Natália Mancio é jornalista - especialista em marketing digital e comunicação integrada. Educadora de cinema e artes visuais, com 15 anos de experiência e atuação na área. Apaixonada por cinema e séries, fã assumida de Friends e Poderoso Chefão, de onde surgiu a sua vontade de estudar mais sobre cinema e televisão. Produtora dos programas Tribuna no Ar 1° edição e Tribuna no Ar 2°, parte da programação da Rádio Antena 1 Juiz de Fora, que diariamente traz as principais notícias para começar o dia, entrevistas especiais e quadros com colunistas da cidade, muita informação, análises e entretenimento.

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