A nova pesquisa divulgada em 2025 por O Globo e o instituto Ipsos-Ipec acendeu um sinal de alerta: torcidas históricas, como as de Corinthians e São Paulo, estão em queda. E, ainda mais surpreendente, cresce o número de brasileiros que afirmam não torcer por clube nenhum. O que está a acontecer com a nossa paixão nacional?
Se antes vestir a camisa do time era quase um ritual passado de geração em geração, hoje a relação com o futebol está em transformação. Parte desse distanciamento tem a ver com a falta de identificação, os altos custos dos ingressos e uma rotina cada vez mais digital e menos presencial. Mas nem tudo está perdido e é aí que entra a reinvenção.
Um novo jeito de viver o futebol
A paixão pelo futebol continua viva, mas está a mudar de forma. Muitos torcedores já não acompanham apenas pela televisão ou no estádio. Agora, as redes sociais, os jogos de fantasy, como o Cartola, e até as apostas online transformaram o modo como o fã interage com o desporto. Participar de uma aposta num jogo do Brasileirão, por exemplo, cria um envolvimento imediato até com clubes que antes passariam despercebidos.
Essa forma de interação ativa, além de movimentar a economia digital, oferece uma nova experiência de engajamento. O torcedor sente que faz parte do jogo, que está ali, envolvido, analisando estatísticas, acompanhando transferências e vibrando com cada lance, mesmo que seja num jogo que não envolva diretamente o seu time de coração.
Videojogos: a nova arena da emoção
Outra ponte poderosa entre gerações e o futebol são os videojogos. Títulos como FIFA (agora EA Sports FC) e eFootball colocam milhões de jovens em contato diário com o universo da bola. Através deles, novas paixões nascem, jogadores se tornam ídolos e clubes estrangeiros ganham torcedores fiéis no Brasil.
Esses jogos não só estimulam o conhecimento tático e técnico do futebol, como também criam comunidades, campeonatos amadores e conexões emocionais entre jogadores e clubes. É cada vez mais comum vermos jogadores que começaram a torcer por um time europeu porque o utilizaram nos videojogos. E talvez esteja aí uma grande pista: se o futebol quiser reconquistar os desinteressados, precisa dialogar com o que emociona atualmente as pessoas.
O desafio de criar vínculos autênticos
É claro que as estratégias digitais não substituem o sentimento de pertencer a uma arquibancada lotada, mas elas podem ser o primeiro passo. Se alguém se apaixona por um clube através de uma aposta, um vídeo no TikTok ou uma jogada no FIFA, por que não aproveitar essa conexão inicial?
Para os clubes, a missão agora é construir relações duradouras a partir desses primeiros laços. Promoções personalizadas, experiências imersivas nos estádios, programas de fidelidade e até parcerias com plataformas de videojogos e apostas podem ser caminhos viáveis para fortalecer o vínculo com o torcedor do século XXI.
O futebol sempre foi mais do que um jogo, ele representa a cultura, emoção e identidade de um país. Mas, como qualquer expressão viva, precisa evoluir com o tempo. Se a arquibancada está mais vazia, talvez seja hora de ocupar também o feed, o joystick e as plataformas digitais com a mesma paixão de sempre.





