Quando o @rixa_x criou o concurso Cachorro di Buteco, lá no RJ, eu logo me lembrei dos nossos queridos vira-latas que habitam as imediações dos mais tradicionais botequins de Juiz de Fora. Aliás, algo que é inerente ao bom boteco é a presença de um cachorro por perto, seja ele caramelo ou não, sempre atento ao movimento e, inevitavelmente, aos ossinhos das costelinhas de porco ou do frango a passarinho que acabam sendo oferecidos aos bichinhos frequentadores dos bares.
Não se iluda achando que os animaizinhos são mal vistos ou enxotados desse ambiente, muitas vezes se tornam pets do lugar, sendo acolhidos, cuidados e conquistando a chancela de animal de estimação do botequim. Vejam o caso do Fred, emblemático cachorro do Bar do Antônio: ele tem crachá, figura nas campanhas do bar nas redes sociais – às vezes, até fantasiado – e é diariamente assediado pelos clientes para ganhar uma cafuné ou tirar uma foto. Fred tem hábitos peculiares; aparece sempre, mas quando lhe convém, e sai sem dar muita satisfação de horário e destino, ou seja, não bate cartão de ponto e nem por isso sofre qualquer represália: isso já é melhor do que escala 6×1, né gente? Seus hábitos alimentares são seletos, prefere a picanha e a maçã de peito preparadas pelo Seu Antônio (aí até eu prefiro, né?) e não é muito de aceitar outros petiscos, mas nem por isso deixa de fazer companhia ao pé da mesa ou sentado no sofá que ladeia as mesas do bar.
Outra queridíssima habitué do botequim é a Rebeca, cadelinha altamente sociável e chameguenta – adora um cafuné e chega a fechar os olhinhos quando ganha uma coçadinha na orelha. Ela está presente diariamente no Bar do Juruna, é reconhecida por todos, tem seu espaço e pote de água fresquinha por lá. Como todo bom vira-lata, rodeia as mesas dos clientes em busca de um petisco saboroso que tenha saído da estufa do Juruna. Notei que ela gosta bastante da almôndega (eu também) e, talvez, por isso, sempre que peço uma porção ela se achegue ao meu lado, abanando o rabo e de olhos vidrados na mesa. Tomo o cuidado de cortar o petisco e, só depois de oferecer a parte que lhe cabe, colocar a minha pimenta na travessa. A gente gosta e cuida do bichinho, né? E ela cuida do lugar também: às vezes, dá uma alterada e late para algum transeunte da calçada, mas só para mostrar que está ali cuidando dos clientes. Esperteza dela, que logo depois se dirige para uma mesa onde tem comida, como que dizendo: “acabei de espantar uma pessoa estranha, me dá logo um petisco aí, vai?!”

E os pets vão surgindo nas histórias dos bares e são tão queridos que, até quando partem, sempre são lembrados. Na Adega da Mina, eles estão eternizados em quadros nas paredes! Lorão, um autêntico caramelo, e a Titi, uma cadelinha malhada, são lembrados com carinho pelo Beto, dono do bar que tratava dos bichinhos com muita atenção e cuidado. Ele conta que guarda muita saudade dos animais que se foram. Conta, ainda, que hoje, com o alto movimento de veículos na rua, fica perigoso manter os pets por lá, com a liberdade que tanto gostam, devido ao risco de atropelamento. Mas nem por isso ele deixou de curtir os vira-latas de boteco e ter um carinho todo especial pelos cachorros da rua.
E você, também tem uma história de um cachorro de botequim por aí? Então, mande sua foto e história lá no Instagram do @butecosdejf que eu faço questão de compartilhar! A gente que é do buteco ama um bom vira-lata, e eles também nos amam, podem ter certeza!












