[wp_slide_menu]

Privatizações e concessões no Brasil: o que são e como podem afetar a economia

Por Bernardo Marcos da Silva, Henrique Gonçalves dos Santos, Pedro Adriano Oliveira de Aquino, Thayene Hellen Siqueira, Filipe Santiago dos Reis e Weslem Rodrigues Faria

A discussão sobre privatizações e concessões costuma polarizar o debate público. De um lado enxergam‑se riscos de serviços mais caros ou exclusão social; no outro defende‑se que o Estado deve reduzir seu tamanho e que a iniciativa privada gerencia melhor. O ponto de partida de qualquer discussão séria, no entanto, é compreender com precisão do que se está falando e quais são os instrumentos disponíveis. Privatização, concessão e parcerias não são sinônimos: o primeiro passo é distinguir os conceitos e examinar seus efeitos econômicos.

A privatização é a venda definitiva de uma empresa estatal. O governo transfere a propriedade e o controle para o setor privado. O argumento central é que a gestão privada, motivada pelo lucro e pela concorrência, tende a ser mais eficiente, inovadora e ágil na redução de custos. A venda também gera uma receita imediata para o Estado, que pode ser usada para abater a dívida pública.

Por outro lado, a concessão funciona como um “aluguel” de longo prazo. O Estado continua sendo o dono do ativo – seja uma rodovia, um aeroporto ou uma rede de saneamento –, mas delega a operação, a manutenção e, crucialmente, a obrigação de investir a uma empresa privada por um período determinado. Este modelo é hoje o mais utilizado no Brasil para modernização de infraestrutura, regulamentado por leis como as de números 8.987/1995 e 11.079/2004. Elas permitem a delegação de serviços públicos à iniciativa privada sob contratos de longo prazo.

Um exemplo recente de concessão é a BR‑381/MG, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares. O edital prevê que a concessionária Nova 381 administre 303,4 km por 30 anos, faça 134,27 km de duplicações, 83 km de faixas adicionais, além de passarelas e vias marginais, e invista mais de R$ 9 bilhões entre obras (CAPEX) e manutenção, conforme citado no Portal eletrônico na Nova 381. O projeto estima a geração de cerca de 80 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Conforme informações do Portal o Especialista, para tornar o leilão viável, o governo reduziu o investimento exigido e elevou a taxa interna de retorno (TIR) prevista para 11,97%. Esses números ilustram como uma concessão pode alavancar a economia regional e criar empregos, mas também exige fiscalização rigorosa para que as obras sejam cumpridas e que as tarifas de pedágio permaneçam dentro dos limites contratuais.

Ao avaliar os efeitos econômicos, é preciso olhar para o PIB pela ótica da demanda: as privatizações reduzem a fatia dos gastos públicos (G), porque o Estado deixa de aportar recursos nas empresas vendidas, enquanto as concessões e a entrada de capital privado elevam o investimento (I) ao aumentar a formação bruta de capital fixo – indicador que mede quanto a economia investe em máquinas, equipamentos e construção. Por outro lado, a venda de ativos elimina uma fonte futura de dividendos públicos e exige que os contratos sejam bem desenhados para que os ganhos de eficiência não se convertam apenas em lucros privados.

Conjuntura e Mercados*

Conjuntura e Mercados*

A Tribuna de Minas não se responsabiliza por este conteúdo e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Leia também