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Reduflação: o truque da gôndola que faz você pagar mais por menos

Por Aidê Camile Souza Oliveira; Leoni G. Kronemberger; Rhuan Carlos Silva Souza; Pedro Paulo de Almeida Fiorillo, André Takano e Weslem Rodrigues Faria

A reduflação vem do inglês shrinkinflation, termo criado por economistas no final dos anos 2000 e tem como definição o processo pelo qual os produtos diminuem de tamanho, quantidade ou volume, enquanto seu preço permanece inalterado ou com leve aumento. O resultado é o aumento no preço por litro, quilo ou qualquer outra unidade de medida. Apesar da Portaria 392 do Ministério da Justiça e Segurança Pública, de 29 de setembro de 2021, e o Código de Defesa do Consumidor estabelecer a exigência de notificação de mudança por pelo menos seis meses, nem sempre a mudança é percebida de forma clara pelo consumidor. Após o período, a nova quantidade é normalizada, sendo o principal exemplo a barra de chocolate, que alguns anos atrás possuía 200 gramas e hoje chega a 90 ou 80 gramas.

Outra tática utilizada pelas indústrias é a skimpinflation (inflação por qualidade rebaixada). Nesse caso, ingredientes de maiores custos são substituídos por alternativas de qualidade inferior. Um exemplo é que ocorreu com lácteos, como leite em pó e leite condensado, que no período da COVID-19, tiveram a entrada de versões alternativas como o composto lácteo (no lugar do leite em pó) e mistura láctea (no lugar do leite condensado). Essa prática altera o valor intrínseco do produto e pode reduzir a satisfação do consumidor na experiência de consumo.

O contexto econômico que incentiva a reduflação é caracterizado por períodos macroeconômicos instáveis, caso de turbulências e altas inflacionárias. Cenários como esses causam o encarecimento de insumos e transportes para as empresas, tornando inevitáveis os repasses aos consumidores.

A decisão de reduzir a quantidade ao invés de aumentar o preço está ancorada em conceitos econômicos. Consumidores podem ter sensibilidade muito maiores às alterações no preço do que no volume do produto. Por exemplo, um aumento em 10% no preço pode levar o consumidor a buscar por marcas mais baratas, diminuindo as vendas do produto em 15%, afetando a participação da indústria no mercado. Por outro lado, essa redução no volume do produto pode passar despercebida pelo consumidor além de ser uma estratégia de manutenção de fidelidade à marca.

Assim, o consumidor deve estar atento às variações de preços causadas pela reduflação, por se tratar de uma estratégia que afeta o bolso dos consumidores. Algumas medidas podem ser eficazes como comparar preço por unidade, ler as embalagens com atenção para conferir se está comprando aquele produto naquela gramagem, e pesquisar marcas alternativas que oferecem preço por unidade menor.

Em casos de irregularidades com a legislação, recorrer aos canais oficiais da empresa e ao Procon se torna uma medida eficiente. Somente assim, o consumidor poderá ter a garantia de não estar sendo lesado por essa prática.

Conjuntura e Mercados*

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