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Menos dependência do dólar: o que a troca de moeda entre Brasil X China realmente representa?

Por Bernardo Marcos da Silva, Pedro Adriano Oliveira de Aquino, Henrique Gonçalves dos Santos, Thayene Hellen Siqueira, André Luiz Ramos Takano e Weslem Rodrigues Faria

O Brasil deu um passo importante em sua política cambial ao firmar, durante visita à China, um acordo de swap de moedas com o Banco Popular da China. Com ele, as transações comerciais entre os dois países passam a ser realizadas diretamente em suas respectivas moedas sem a necessidade de conversão prévia para o dólar. O montante acordado chega a R$157 bilhões, funcionando como reserva de garantia para as operações bilaterais, isentos de qualquer rendimento.

Esse movimento integra uma estratégia chinesa já implementada em mais de 40 países, como Canadá, Japão, Reino Unido e África do Sul. A China busca internacionalizar o yuan e reduzir a centralidade do dólar nas transações internacionais. Para o Brasil, a medida representa uma alternativa para diversificar fontes de financiamento externo, reduzir a exposição às oscilações cambiais e mitigar impactos inflacionários ligados à alta do dólar.

A parceria comercial entre Brasil e China consolidou-se ao longo das últimas duas décadas, impulsionada por fatores estruturais da economia global. O marco inicial foi o boom das commodities a partir de 2004, que elevou a demanda por insumos brasileiros. Essa relação atingiu um novo patamar em 2009, quando a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, uma posição que sustenta desde então, refletindo seu desenvolvimento acelerado e a consequente necessidade de matérias-primas para sua indústria.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume de exportações brasileiras para a China no ano anterior chegou a US$ 94 bilhões. Esse valor é bem superior aos US$ 40 bilhões para os Estados Unidos e US$ 13 bilhões para a Argentina, outros tradicionais parceiros.Dentre os produtos brasileiros mais exportados aos chineses, destacam-se as commodities: soja (US$ 31,4 bilhões), minério de ferro (US$ 19,9 bilhões), óleos brutos de petróleo (US$ 19,8 bilhões) e carnes (US$ 5,9 bilhões).

Além disso, o Brasil comprou, em 2024, cerca de US$ 63 bilhões em produtos chineses. Os principais produtos foram células fotovoltaicas (US$ 2,6 bilhões), veículos (US$ 2,8 bilhões) e aparelhos telefônicos (US$ 1,2 bilhão).

Apesar das vantagens, o acordo de troca também expõe desafios internos. A adoção plena da moeda chinesa exige maior segurança jurídica, estabilidade regulatória e previsibilidade nas regras fiscais e econômicas. Ademais, a gestão cuidadosa do Brasil para mitigar os riscos de uma dependência excessiva será necessária.Para o futuro, a função desses acordos tende a evoluir, influenciada por novas dinâmicas de poder, inovações tecnológicas como as moedas digitais de bancos centrais e as próprias necessidades de liquidez do mercado.

Fabíola Costa

Fabíola Costa

É jornalista, com bacharelado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Trabalha na Tribuna de Minas desde 2000. Foi repórter sênior por quase 20 anos, atuando especialmente na editoria de Economia. Em 2017, foi uma das vencedoras do Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, nas categorias Prêmio Geral e Impresso (jornal e revista), concedido pelo Sindicomércio-JF. Desde 2019, integra o time de editores.E-mail: fabiolacosta@tribunademinas.com.brLinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fab%C3%ADola-costa-35974414a/

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