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Envelhecimento LGBTs 60+

"A importância da realização dessa Parada é que ela traz publicamente a reivindicação de quem é discriminado, por mais respeito e por mais amor, e que como todos nós, carecem de um tratamento social de mais afeto e consideração para as suas velhices com suas preferências e identidades na expressão maior do amor que trazem na alma."

Por Jose Anisio Pitico

Acontece neste domingo (22) em São Paulo, mais uma Parada do Orgulho, a 29ª. Com um motivo super interessante e que precisa ser visto e respeitado: o envelhecimento de todos nós, o envelhecimento LGBT 60+. Não quero fazer nenhuma distinção, longe disso; muito menos, nenhum julgamento pessoal, por conta da construção das subjetividades das pessoas ao envelhecerem; desejo valorizar a importância da realização de mais uma Parada do Orgulho para chamar a atenção de toda a sociedade, de que todos nós envelhecemos, e que, há entre nós, muito mais semelhanças do que diferenças por conta da nossa definição, orientação ou identidade sexual.

Mas devo admitir e admito – o que vocês acham, caros leitores e leitoras, quando eu escrevo que essas pautas ainda são poucas faladas publicamente: sexo e velhice? É como se elas não existissem no nosso destino humano de viver. Como vivemos numa sociedade etarista que condena a todos nós que envelhecemos a um lugar de não existir, de não amar e de não sermos amados, a intimidade fica completamente rejeitada nas nossas relações sociais e ainda é motivo de muitos preconceitos e anulação da nossa capacidade de amar independentemente da idade e do gênero.

O tema definido pela organização para a Parada desse ano acontece em plena mudança do perfil etário da nossa população, no nosso país e em nossas cidades, como aqui em Juiz de Fora, que é o aumento expressivo do número de pessoas com a idade de 65 anos ou mais. Dos 203,1 milhões de brasileiros, 22,2 milhões estão nessa faixa etária.(IBGE, 2023). É uma pena que o Censo não traga números sobre a comunidade LGBT 60+. O que reproduz a invisibilidade social dessa realidade existente entre nós, dentro dos nossos círculos de amizades e familiares.

A importância da realização dessa Parada é que ela traz publicamente a reivindicação de quem é discriminado, por mais respeito e por mais amor, e que como todos nós, carecem de um tratamento social de mais afeto e consideração para as suas velhices com suas preferências e identidades na expressão maior do amor que trazem na alma.

Mais do que ser um evento midiático, mais do que ser um desfile com personagens divertidos, alegres e bem-humorados, o que é bacana, a Parada do Orgulho deve ser vista com uma atividade política, reivindicatória e não apenas como uma festa. Trata-se de se constituir numa organização coletiva que está reunida, que está nas ruas e nas avenidas, exigindo cidadania e o seu direito de envelhecer, como são; como se encontram no melhor modo de ser, delas mesmas; sendo elas mesmas, principalmente nessa fase da vida, que é a oportunidade que temos para a gente ser aquilo que sempre desejamos ser, sem amarras e livres para existir. Custe o que custar.

Naturalmente, é preciso ter coragem. Para que a coragem seja nossa companheira desde cedo, é preciso que uma nova educação social seja construída para que assuntos como esses sejam apropriados criticamente pelas gerações futuras e re/pensados pelas gerações já maduras. É muito bom saber e perceber que esses temas, longevidade,  sexualidade e comunidade LGBT 60+, estão sendo trazidos, debatidos e vistos em algumas edições culturais: no cinema, no teatro e entre outras manifestações.

Se ainda guardamos resistências culturais e sociais nas nossas relações com o nosso envelhecimento, e com tudo que ele traz, de ganhos e perdas, como em qualquer fase da nossa vida; mais ainda, torna-se fundamental vivenciar essa realidade conjugada com a expressão de nossa sexualidade, tendo em vista, alcançar um grau maior de liberdade em nós mesmos para guardarmos fidelidade ao que um dia desejávamos ser.

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar e mantém o canal Longevidades no Youtube (@Longevidades). Contato: (32) 98828-6941

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