[wp_slide_menu]

Juiz de Fora é uma cidade amiga da pessoa idosa?

"Vivemos uma transição demográfica silenciosa, mas bem acelerada. Essa realidade demográfica traz uma pergunta urgente e incômoda: nossa cidade está preparada ou vem se preparando para ser uma cidade amiga da pessoa idosa?"

Por Jose Anisio Pitico

Vivemos uma transição demográfica silenciosa, mas bem acelerada. Essa realidade demográfica traz uma pergunta urgente e incômoda: nossa
cidade está preparada ou vem se preparando para ser uma cidade amiga da pessoa idosa? Para mim, não. E na opinião de vocês, caros leitores e leitoras? Por outro lado, reconheço o trabalho de muitos idosos e idosas, agentes públicos, gestores municipais, profissionais da gerontologia e da geriatria que estão na luta diária e histórica, que vem de longe, para a construção de uma cidade acolhedora, segura e inclusiva para as pessoas idosas.

Construção essa que passa inevitavelmente pelo planejamento urbano, por políticas públicas consistentes e sustentáveis e, acima de tudo, passa por uma mudança de mentalidade de toda a comunidade. O que deve ser uma cidade amiga da pessoa idosa? Deve ser uma cidade que promove ou que deveria promover autonomia, participação e segurança aos seus moradores idosos. Trocando em miúdos: é a cidade que deve ter calçadas planas e bem conservadas; semáforos que facilitem a travessia das pessoas idosas, sem risco de atropelamentos com mortes; unidades de saúde com atendimento humanizado; moradias adaptadas; oportunidades de lazer nas praças da cidade. Quantos dos nossos bairros oferecem calçadas transitáveis para quem tem mobilidade reduzida?

Quantos ônibus contam com elevadores funcionando e motoristas preparados para acolher passageiros idosos? Quantos espaços públicos incentivam a convivência intergeracional e o protagonismo da velhice? Qual é o volume da produção legislativa das vereadoras e vereadores para a proteção social e defesa da vida das pessoas idosas? Há que se destacar, e eu destaco com orgulho, iniciativas importantes que temos na cidade. A atuação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa. Da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara Municipal. Programas da UFJF e de outras Instituições de Ensino Superior com o envelhecimento. Presença pioneira do SESC. SESI + Vida. Câmara Sênior da Câmara Municipal. Polícia Civil. Ministério Público. Associação de Aposentados, Pensionistas e Idosos.

Precisamos integrar esses importantes serviços com a Gestão Pública para efetivamente termos uma Política Municipal ampla, articulada, intersetorializada para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável para todas as idades. Ser uma cidade amiga da pessoa idosa não é apenas uma questão de assistência social, direitos humanos ou saúde pública. É um modelo de cidade. É a gente entender que o que é bom para a pessoa idosa também é bom para as crianças, jovens, adultos, gestantes, pessoas com deficiência – é bom para todos nós. A Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe um desenho claro para as cidades que desejam ter o título de CIDADE AMIGA DA PESSOA IDOSA. O que a cidade deve ter? Acessibilidade. Participação Social. Respeito. Inclusão, Oportunidades de trabalho. Acesso à informação. Serviços de saúde de qualidade. Juiz de Fora pode e deve seguir nessa direção.

Qual deve ser o primeiro passo? Começar por onde? Ouvir as pessoas idosas. Elas sabem o que funciona; e o que falta e o que precisa mudar. Envelhecer com dignidade não pode ser privilégio de poucos. É um direito de todos. Que essa pergunta – JF é uma cidade amiga da pessoa idosa? – não fique presa ao título dessa Coluna. Que ela entre e ecoe no plenário da Câmara Municipal, no Gabinete do Executivo, nas plenárias dos Conselhos de Políticas Públicas, nas ruas e nos bairros. Esse é o nosso maior desafio. Vamos em frente!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar e mantém o canal Longevidades no Youtube (@Longevidades). Contato: (32) 98828-6941

A Tribuna de Minas não se responsabiliza por este conteúdo e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Leia também