Fé explícita e implícita
“A fé cristã é um ato eclesial e isso significa que Deus nos chama a crer na Igreja como mãe e mestra da fé”
Jesus Cristo afirmou que a fé é necessária à salvação. Com sua autoridade divina, Jesus assim explicou : “Aquele que crer e for batizado será salvo; aquele que não crer será condenado” (Marcos 16,16). Por diversas vezes, Jesus falou sobre a importância da fé como um dom sobrenatural e uma resposta humana ao Deus que revela (Lucas 7,50; Marcos 9,23; Mateus 17,20 e etc). A fé cristã não é uma filosofia e não se baseia numa opinião humana. A fé é um dom sobrenatural que Deus concede ao homem e é mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda em Deus que não pode nem enganar-se nem enganar-nos. A fé transcende a razão e “a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural” (Santo Tomás de Aquino). “Porém, ainda que a fé esteja acima da razão, não poderá jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé dotou o espírito humano da luz da razão; e Deus não poderia negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer a verdade” (Concílio Vaticano I).
No século XII, Santo Anselmo recordou que “Fides quaerens intellectum” = “a fé procura compreender”. Assim, um conhecimento mais penetrante despertará por sua vez uma fé maior, cada vez mais ardente de amor. Segundo a famosa expressão de Santo Agostinho, “eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer”.
É verdade que nem todas as pessoas honestas demonstram fé de maneira explícita. Sobre isso, o Papa São João Paulo II assim comentou: “Se uma vida é realmente correta, é porque o Evangelho, embora não conhecido ou rejeitado a nível consciente, na realidade já desenvolve sua ação no íntimo da pessoa que procura com empenho honesto a verdade e está disposta a aceitá-la, logo que chegue a conhecê-la. Com efeito, exatamente semelhante disponibilidade é manifestação da graça que opera na alma” (João Paulo II: “Cruzando o limiar da esperança” pg 181). Assim, o Concílio Vaticano II explicou que “aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob a ação da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência podem conseguir a salvação eterna” (Concílio Vaticano II: LG 16).
A fé cristã é um ato eclesial e isso significa que Deus nos chama a crer na Igreja como mãe e mestra da fé. A fé da Igreja precede, gera, sustenta e alimenta nossa fé. Jesus nos pede para ouvir a Igreja (Mateus 18,17; Mateus 16,18). Por isso, a Igreja Católica afirma que “não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar” (Concílio Vaticano II: LG 14). Na verdade, “ninguém pode ter a Deus por Pai, que não tenha a Igreja por mãe” (São Cipriano, século III). Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina.
Neste sentido, Santo Tomás assim definiu: “Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça”. Embora sublinhando o caráter sobrenatural da fé, a Igreja Católica também destaca o valor da racionabilidade da fé. No século IV, Santo Agostinho explicou que a fé, se não for pensada, nada é, ou seja, crer nada mais é senão pensar consentindo; todo o que crê pensa; crendo, pensa e pensando, crê. Se se tira o assentimento, tira-se a fé, pois, sem o assentimento, realmente não se crê (Santo Agostinho : De fide, spe et caritate, 7: CCL 64, 61.).
O ato de fé é por sua natureza voluntário. Por isso, a Igreja afirma que jamais é lícito a alguém levar os homens a abraçar a fé católica por coação, contra a própria consciência (Código de Direito Canônico, cân.748 § 2).
OBS: Quero manifestar aqui o meu desejo de que o novo Bispo da Arquidiocese de Juiz de Fora, isto é, o EXMO. Dom Marco Aurélio Gubiotti seja feliz e abençoado em sua nova missão episcopal.
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