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O minimalismo intelectual e a ditadura do imediato

“Nunca se teve tanto acesso à informação e nunca se pensou tão pouco”


Por Robson Ribeiro, professor, mestre em Teologia, filósofo e teólogo

25/01/2026 às 07h47

A era digital, alimentada pela globalização e pelo culto à velocidade, formou uma geração de estudantes que confunde agilidade com inteligência, praticidade com sabedoria e acesso com compreensão. Nunca se teve tanto acesso à informação e nunca se pensou tão pouco.

O que deveria ser uma revolução do conhecimento transformou-se em uma crise silenciosa de superficialidade. O estudante globalizado tornou-se o símbolo de um mundo onde tudo se faz “rápido”, mas nada se faz “profundo”. O minimalismo intelectual é o sintoma mais perverso desse tempo. Os alunos generalizam tudo: conceitos, debates, realidades.

Acreditam que compreender é o mesmo que “dar uma olhada”; que aprender é “ver um vídeo curto”; que pensar é “ter opinião”. O resultado é uma mentalidade preguiçosa, moldada por algoritmos que entregam respostas instantâneas e eliminam o espaço da dúvida, da pesquisa e da construção pessoal do saber. É a substituição da inteligência pelo reflexo, da reflexão pelo “resumo”, da leitura pelo “atalho”. A globalização, que poderia significar o encontro de culturas e saberes, tornou-se uma máquina de padronização mental.

O estudante, inserido nesse turbilhão, não quer mais compreender o mundo quer apenas “se virar nele” e ficar livre das frustrações. Vive o presente com ansiedade e o conhecimento com impaciência. Perdeu-se o respeito pelos processos de aprendizagem e o sentido da profundidade intelectual. O saber, agora, é medido em cliques, e o tempo de reflexão é visto como perda de produtividade.

A globalização tecnológica prometeu aproximar o mundo, mas acabou afastando o ser humano de si mesmo. Em um planeta conectado, as mentes estão cada vez mais desconectadas da reflexão e da empatia.

Os estudantes, colonizados por um modelo global de eficiência sem profundidade, tornaram-se reféns da superficialidade digital: tudo é imediato, tudo é igual, tudo é raso. Porque, como nos lembra Guimarães Rosa, “viver é muito perigoso”, mas é justamente no perigo da travessia que reside a essência do humano. E talvez educar, hoje, signifique justamente isso: ensinar a atravessar, e não a colecionar certezas.

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