Tarifaço deve ser discutido fora do palanque
Tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump tem que ser discutido como um tema de interesse coletivo
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou, nesta segunda-feira, que o Fórum dos Governadores solicitou uma reunião com o Governo federal para discutir quais devem ser as reações ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que entra em vigor no dia 1º de agosto. Ao mesmo tempo, um grupo de senadores encontra-se nos EUA fazendo articulações, sobretudo com os empresários americanos, em busca de ajuda para pressionar a gestão Trump a rever os seus conceitos.
No caso dos parlamentares há problemas. Além de o próprio presidente dizer que não irá mudar de postura, o Congresso americano, no qual poderiam ser feitas ações objetivas, entrou em recesso de meio de ano, com cada parlamentar – como ocorre também aqui – indo para seus redutos eleitorais.
A reunião dos governadores pode ser mais produtiva, porque não há qualquer tipo de barganha. Ibaneis, como destacou o jornal “O Globo”, já antecipou que a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro não estará na agenda. A reunião é para buscar medidas que reduzam os impactos do tarifaço, tratado como medida irreversível.
Haverá perdas, é fato, mas, se o Governo federal e os governadores se acertarem em torno de um projeto comum, é possível ganhar tempo para implementação de medidas que não comprometam tanto a economia nacional.
No entanto, para a conversa avançar, as partes terão que descer do palanque. O que tem sido observado logo após o anúncio do dirigente americano são lideranças tentando tirar algum proveito já com vistas às eleições de 2026.
Agir de tal forma é um equívoco, pois não haverá vencedores se não houver mudanças. Por isso, o Fórum de Governadores, que tem barrado diversas medidas do Governo Lula, a começar pelo Sistema Único de Segurança Pública, abriu mão da pauta ideológica para conversar sobre uma agenda comum.
Vale o mesmo para o presidente, que se fará representar pelo vice, Geraldo Alckmin. Não será com discursos ou ameaças de retaliação que haverá uma saída. A soberania é inegociável – a começar pela ingerência no Judiciário -, mas há margem para conversar quando se trata de negócios.
A reunião preliminar entre Ibaneis e o vice-presidente Geraldo Alckmin foi considerada positiva por ambos os lados. É fundamental, no atual momento, um diálogo de todos, unindo o setor produtivo e a classe política em torno de uma questão que é nacional. A pauta política de palanque tem seu espaço, mas só depois, já que falta mais um ano, ainda, para o pleito geral.