Mais segurança para profissionais da saúde
Profissionais da saúde têm sido, há tempos, vítimas da violência não apenas em postos de saúde, mas também em outros espaços
Em menos de um mês, a cidade registrou dois casos graves de ataques a profissionais da saúde. No dia 17, uma médica foi atingida, quando um homem – que até hoje não foi preso – atirou uma pedra contra a vidraça da recepção da Unidade de Pronto Atendimento Norte (UPA). Na última quarta-feira, um caso mais grave ocorreu na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Furtado de Menezes, na Região Sudeste de Juiz de Fora.
Uma médica, de 55 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico, fratura de nariz, uma fratura no braço e ainda apresentou sangramento e hematoma no rosto, além de dor abdominal. Ela ainda teria sido agredida com uma pedrada na cabeça, segundo o Sindicato dos Médicos e a Secretaria de Saúde. A autora não foi identificada.
Os dois casos são abomináveis e, ao mesmo tempo, reveladores da insegurança que afeta o trabalho desses profissionais. Na fase mais aguda da Covid, muitos desses agentes pereceram ante a contaminação pelo coronavírus, enquanto outros viveram momentos críticos por conta da pressão por atendimento rápido num ciclo de ampla demanda.
É fato que não é uma questão exclusiva de Juiz de Fora. O noticiário tem sido pródigo em registrar todo tipo de agressão no dia a dia dos profissionais, ora por pacientes inconformados pelo não atendimento, ora por não aceitarem resultado de laudos médicos. Os peritos do INSS conhecem bem esse problema. Em suma, há ocorrências de toda sorte.
A Prefeitura fez bem ao anunciar a implementação de uma campanha de conscientização envolvendo os usuários, pois muitos deles também chegam a gestos extremos em decorrência dos próprios dramas. A falta de vagas, a demora e a forma do atendimento são fatores que impulsionam tensões de quem está em busca de socorro. A melhoria na infraestrutura das unidades é um fator a ser levado em conta, pois ambientes mais humanizados contribuem para redução na tensão entre pacientes e familiares no trato com os agentes de saúde.
Mas a campanha deve ser acompanhada de medidas que ampliem a segurança dos profissionais da saúde. A extensão do horário de funcionamento das UBSs foi um avanço, mas é necessário garantir que os trabalhadores que estão nessa jornada estendida também tenham garantias de que estão seguros na execução do seu trabalho. A presença de seguranças capacitados em hospitais e unidades de pronto atendimento – principalmente nos plantões e nos fins de semana – é crucial.
Diante de facilidades digitais, a instalação de câmeras em áreas de acesso público – recepção, salas de espera, pronto-socorro, entre outros – também se faz necessária.
Em alguns países, além do endurecimento das penas, foram implementadas campanhas nas escolas e comunidades, pois, ao fim e ao cabo, estas também são prejudicadas. No caso em questão, diversas unidades só voltam a funcionar nesta segunda-feira por conta do protesto justo dos profissionais.
Como não há um mapeamento de violência, com dados abertos sobre ocorrências por região, perfil dos agressores e impacto nos profissionais, é fundamental ainda fazer esse levantamento, para adoção de políticas públicas que resguardem os profissionais e os próprios usuários, por também estarem sujeitos a serem vítimas de agressões.