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Os riscos da instabilidade do clima

A instabilidade do clima leva autoridades europeias a admitirem possibilidade de temperaturas na casa dos 50 graus celsius


Por Paulo Cesar Magella

19/08/2025 às 07h35

 Efeitos da instabilidade do clima. Autoridades francesas, especialmente de Paris, dizem que não está longe o dia em que temperaturas de até 50º Celsius poderão atingir a capital francesa. Para minimizar os danos, várias ações já estão sendo planejadas. Ao mesmo tempo, em toda a Península Ibérica, milhares de pessoas tentam apagar as chamas próprias de verões cada vez mais intensos. Portugal e Espanha já registram situações críticas, repetindo cenários de anos anteriores, que causaram centenas de mortes, especialmente de idosos. 

  No Brasil, há muito não se via um inverno tão longo e intenso como o de 2025, que, este ano, deu pouco espaço para o chamado veranico. A temperatura tem se mantido baixa e, mesmo quando aumenta, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, é precedida por novas frentes frias.

  O que ora ocorre não é surpresa diante do desajuste climático que se acentua de ano para ano. Alguns cientistas advertem que o ponto de não retorno está próximo, embora tais advertências tenham surtido poucos resultados. Diversos estados nacionais insistem em considerar a instabilidade climática mais um declaratório de ambientalista do que um episódio real.

  O que chama a atenção é que, mesmo diante de tantos episódios, ainda não se criou um consenso em torno de um projeto que reduza as emissões de gases, o desmatamento desordenado ou a mudança de matrizes energéticas. A produção de petróleo está aumentando, inclusive no Brasil, que tem uma agenda ambiental que aponta exatamente para o sentido contrário.

  No mês de novembro, o país vai abrigar a COP-30, e pouco se sabe do que pode acontecer. O Brasil, anfitrião, tateia em algumas políticas, enquanto os maiores poluidores não reduzem suas margens. As diversas conferências sazonalmente realizadas repetem o mesmo mantra: é preciso fazer algo, mas as medidas são tímidas.

  Esse perigoso contrassenso é preocupante, sobretudo por apontar a baixa disposição para mudanças. O Congresso Nacional aprovou, há cerca de duas semanas, uma legislação ambiental totalmente permissiva. O Governo vetou cerca de 60 itens, mas tal decisão não é suficiente para conter os danos.

  O dado emblemático dessa legislação foi a ausência de uma discussão efetiva sobre o texto. É fato que há contribuições de ambos os lados, mas tudo indica que esse encontro de ideias não aconteceu.

  Com tantas demandas – entre elas as guerras pelo mundo afora, que mobilizam negociações, como as desta segunda-feira nos Estados Unidos -, a pauta ambiental corre o risco de ficar em segundo plano. É um dado preocupante, pois as consequências podem ser mais danosas do que os conflitos ora em curso pelos diversos continentes.