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Idosos precisam de mais proteção

Campanhas de conscientização devem ser permanentes, a fim de garantir a segurança dos idosos e conter o etarismo especialmente no mercado de trabalho


Por Paulo Cesar Magella

17/06/2025 às 07h26

 

 

No dia 24 deste mês, a Polícia Civil de Minas Gerais irá promover, no Parque Halfeld, uma ação cujo objetivo é estreitar laços com a comunidade e oferecer serviços de informações importantes especialmente aos idosos. Em entrevista à Tribuna e à Rádio Transamérica, o delegado Rodolfo Rolli, titular do Núcleo de Atendimento à Pessoa Idosa em Juiz de Fora, destacou a importância de campanhas de esclarecimento ante os números ascendentes da violência contra pessoas no campo da terceira idade.

De fato, como mostrou a reportagem de Sandra Zanella, no último domingo, os crimes contra idosos dispararam na cidade nos quatro primeiros meses deste ano, subindo 17% em comparação com o mesmo período do ano passado, e lesando quase 1.500 vítimas. “Furtos e estelionatos – incluindo os temidos golpes no ambiente virtual – representam mais da metade das 20 mil ocorrências registradas desde 2020, seguidos por ameaças (14%).”

O tema é recorrente, como bem destacou o delegado. O Estatuto do Idoso estabelece situações caracterizadas como violência contra o idoso que estão incorporadas à rotina familiar, especialmente. A violência psicológica é frequente e subnotificada, uma vez que a vítima, em razão da proximidade com os autores, sequer percebe a sua gravidade. “O idoso não relata, mas a gente sabe pelo que ele passa”, destacou o delegado.

A violência patrimonial é outro fator que chama atenção, pois é praticada até mesmo nas relações com o Estado. O Congresso Nacional deve instalar em breve uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar os descontos ilegais nos vencimentos de aposentados e pensionistas, que causaram um prejuízo de mais de R$ 6 bilhões não ao INSS e sim aos beneficiários, que, durante anos, tiveram descontos não autorizados sob o olhar leniente do próprio Instituto.

Celebrado no domingo (15), o Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa é uma ação autoexplicativa. É necessário conscientizar os idosos e seu entorno para os cuidados que devem ser tomados. O incremento da criminalidade contra essa faixa etária em Juiz de Fora ficou acima da média registrada pela PC nos 86 municípios sob sua jurisdição na Zona da Mata a também superiores aos números de Minas Gerais.

A Tribuna, neste mesmo espaço, tem tratado das demandas das pessoas com mais de 60 anos. No editorial de domingo, o tema foi o etarismo, outra perversidade contra a terceira idade diante do preconceito direcionado os “velhos”, sob o argumento de não estarem adaptados ao mundo digital.

Trata-se de um equívoco deliberado que, em alguns momentos, soa como má-fé, por não levar em conta a capacidade de aprendizado dos chamados personagens analógicos.

Todos esses fatores, quando conectados, apontam os fatos mais crescentes para quem passa da faixa dos 60 anos. O que seria uma virtude virou desafio, ante as dificuldades encontradas em diversos segmentos de uma sociedade que, ao contrário do que se pensa, está ficando cada vez mais velha, o que indica que, em algum momento, os que hoje estão abaixo dessa faixa etária terão que conviver com os mesmos incômodos.