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A segurança pública é prioridade

Com a economia estável, brasileiro está mais preocupado com a segurança pública, tema que o Congresso reluta em discutir


Por Paulo Cesar Magella

14/10/2025 às 10h30

Há um consenso apontando que, quando a economia vai bem, a democracia também segue o mesmo caminho, mas tal assertiva não tira de pauta outras preocupações do brasileiro, como a segurança pública. No último domingo, o jornal “O Globo” publicou matéria assinada pelo comentarista político Mauro Paulino – que já dirigiu o Datafolha – e pelo diretor de pesquisas da consultoria Imagem Corporativa, Alessandro Janoni, na qual ambos destacam que o Governo está bem na economia, pois 42% da população, segundo a Genial/Quaest, diz estar mais fácil para conseguir emprego hoje, mas enfrenta problemas na área de segurança.

  Desde maio, esse tópico lidera as preocupações dos brasileiros (30%), superando o lugar da economia. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de estelionato digital cresceu 408% nos últimos seis anos, isto é, além da institucionalização do crime organizado. De acordo com o Datafolha, cerca de 15 milhões de pessoas foram vítimas de algum tipo de golpe no período de um ano. E boa parte não fez sequer o registro de ocorrência.

  Tais dados indicam que o Congresso está andando para trás ao tratar da PEC da Segurança Pública. Por razões meramente políticas, o texto não avança, a despeito de as ruas apontarem que a segurança, no lugar da economia, tornou-se a sua principal preocupação.

  E há motivos para isso. Além dos golpes virtuais, dos quais ninguém está isento, a violência nas ruas está aumentando a olhos vistos, bastando acompanhar o noticiário. São crimes de todas as espécies, com destaque para os atos contra o patrimônio, que, em diversas vezes, se desdobram em crimes contra a vida ante a violência dos autores.

  A Proposta de Emenda à Constituição não vai acabar com o crime de uma hora para a outra, mas é a resposta mais eficaz que o Estado pode dar diante do clima de insegurança que já não é mais exclusivo das metrópoles. As facções avançam pelo interior, levando medo a populações que até bem pouco tempo viviam sob outro cenário.

  O ponto central da PEC é a integração das ações da Polícia Federal com as representações estaduais, a fim de garantir unidade no enfrentamento. Hoje, a segurança pública está em compartimentos estanques, o que gera problemas de toda sorte. Tal processo vai na contramão dos próprios fatos. As facções, além de aumentarem sua capilaridade, atuam cada vez mais integradas.

  O grave desse processo é que todos os pontos que encontraram resistências foram superados, a começar pelos governadores do Sul e do Sudeste, que entendiam ser a PEC uma ingerência no seu poder de comando sobre as tropas estaduais. Foi um equívoco deliberado, por contraste ideológico.

  As forças de segurança dos estados também precisam se convencer de que não estarão sob a égide da Polícia Federal, como estava elaborado na primeira versão. Há, pois, margem para o diálogo e a integração do trabalho das polícias.

  As lideranças políticas precisam estar cientes de que a pauta da segurança estará, necessariamente, nos palanques, o que exige um olhar mais apurado sobre o que pode ser feito. O eleitor não irá aceitar o declaratório dos políticos, pois sabe, e vive tal situação, que o medo bate à porta.