Números do Datafolha e a corrida eleitoral
De acordo com o Datafolha, 39% dos eleitores se dizem petistas, e 37%, bolsonaristas, o que mantém em dia a polarização
O Instituto Datafolha divulgou na última sexta-feira (8) que 39% dos eleitores se dizem petistas, e 37%, bolsonaristas. Considerando a margem de erro, os percentuais dos dois grupos estão tecnicamente empatados. Outros 18% se declararam neutros, 5% disseram não apoiar nenhum deles, e 1% não soube responder.
É possível fazer várias leituras dos números. A primeira é a permanência da polarização política, que, em vez de refluir, ganhou força com os mais recentes episódios: as tarifas de 50% impostas ao país pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O tarifaço, em princípio, ganhou repúdio de ambos os lados, uma vez que o agronegócio foi um dos mais afetados, mas tanto os discursos do Governo quanto a percepção de ser um bom tema de campanha levaram o tema para os extremos. O presidente Lula chegou a ganhar fôlego nas intenções de votos nos primeiros momentos por sua reação às novas tarifas, mas a mudança já não é tão acentuada.
A outra causa da polarização está nas decisões do STF. Primeiro, a implantação de tornozeleira eletrônica e depois a prisão domiciliar do ex-presidente tiraram a oposição da letargia imposta pelas tarifas. Com novo discurso, ressuscitou pautas como foro privilegiado e anistia aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro de 2023. Como a ação gera reação, os dois lados voltaram a ganhar evidência especialmente nas redes sociais.
Um dado não avaliado pelos pesquisadores, mas claro nos números atuais, é o fracasso do caminho do meio. Os moderados correm o risco de, de novo, ir para as urnas sem um candidato capaz de conter o avanço dos extremos. A chamada terceira via, ensaiada em 2022, continua sem uma referência capaz de conter o lulismo e o bolsonarismo.
O curioso desse cenário é que as recentes pesquisas de diversos institutos indicam que a maioria dos eleitores não quer nem Lula nem Bolsonaro como candidatos, mas não sustenta um nome de centro. Os que ora aparecem estão vinculados a um dos lados. Nome que lidera todas as bolsas de apostas, na ausência de Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não se coloca mais no centro. Suas últimas ações apontam para a conquista do voto da extrema direita – o que não indica, necessariamente, que vá encampar suas pautas se chegar ao Planalto.
O governador de Minas, Romeu Zema, que vai oficializar sua candidatura a presidente no próximo dia 16, em evento em São Paulo, adotou um discurso crítico ao presidente Lula, mas seus números ainda são baixos diante de outros nomes. Ele se escuda, porém, na sua própria experiência. Em 2018, quando participou de sua primeira eleição, derrotou notáveis da política mineira, como o ex-governador Antonio Anastasia – hoje ministro do TCU – e Fernando Pimentel, que buscava a reeleição. Com menos de 2% na preferência dos mineiros, o empresário do Triângulo Mineiro chegou ao comando de Minas e teve seu mandato renovado em 2022 ainda no primeiro turno. Ele espera que, faltando mais de um ano para as eleições, seu nome ganhe mais projeção, o que só o tempo dirá.
No campo do Governo também não tem espaço. O presidente Lula tem dito que, se continuar com saúde e vontade de fazer política, estará no palanque de 2026. Por enquanto, é esta a opção.
Quanto ao meio, o primeiro passo seria forjar um nome fruto de conciliações. Até agora, no entanto, isso não aconteceu.