Pesquisa Genial/Quaest aponta insatisfação das ruas com os partidos políticos
De acordo com a Genial/Quaest, os partidos políticos têm a pior avaliação; Igreja Católica a melhor
A nova rodada de pesquisas da Genial/Quaest, divulgada nessa segunda-feira, é marcada por novos recados: a opinião pública confia mais nas instituições de fé e de força do que em partidos políticos, Congresso Nacional, Governo e Supremo Tribunal Federal, entre outros. A imprensa também não passou despercebida, devido à percepção dos brasileiros sobre seu papel em todo esse processo. Os números oferecem uma leitura interessante para esses atores.
O pior desempenho, mas sem surpresa, é o dos partidos políticos. Não é de hoje que a opinião pública aponta o modo como operam, muitas vezes voltado para interesses de grupos, em vez de representar as demandas dos eleitores. O Congresso Nacional, onde atuam com maior desenvoltura, também é visto com reservas e, assim como os partidos, também tem uma avaliação negativa.
Os números também mudam de acordo com as circunstâncias. Quando o presidente Lula foi preso, os eleitores com um viés de esquerda tinham duras críticas ao STF. Hoje, quando é o ex-presidente Jair Bolsonaro o personagem no banco dos réus, é a direita quem faz duras críticas à Suprema Corte, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
Como aponta o pesquisador e diretor da Quaest, Felipe Nunes, houve uma piora generalizada no grau de confiança institucional dos brasileiros nos últimos quatro anos. Até mesmo nas instituições mais prestigiadas, como as Forças Armadas e a Polícia Militar, a desconfiança aumentou em dez pontos percentuais.
O envolvimento das igrejas na política também chamou a atenção. No caso das evangélicas, a desconfiança aumentou especialmente entre os eleitores que votaram em Lula nas últimas eleições. Faz sentido quando líderes como o pastor Silas Malafaia vão ao palanque defender a anistia e a volta do candidato Jair Bolsonaro.
Tais cenários são passageiros, mas retratam o comportamento das ruas nos últimos quatro anos, quando a polarização política se tornou uma rotina na vida dos brasileiros. Há um claro cansaço com o jogo do nós contra eles, mas que não se apresenta na discussão de nomes para as eleições de 2026.
O eleitor permanece em apenas duas trincheiras, sem dar margem a nomes que poderiam atuar no caminho do meio. O discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no último domingo, mostrou sua preferência pela extrema direita, quando seu nome transitava pelo centro. Foi uma aposta, é fato, mas terá desdobramentos.
No outro extremo, o presidente Lula continua sem dar espaço para outra opção, apresentando-se como única alternativa. As pesquisas lhe dão razão, mas há quem considere que a ausência de uma segunda opção pode ser um grave problema. Em 2018, mesmo inelegível, ele se candidatou até ser barrado pela Justiça Eleitoral. Quando optou por Fernando Haddad, o cenário era irreversível, e Bolsonaro ganhou as eleições.
Ao fim e ao cabo, também, como mostram as pesquisas, Lula e Bolsonaro continuam sendo os principais atores de uma disputa que só ocorrerá de fato daqui a um ano. O papel deles ainda não está definido.