É bom ampliar a discussão sobre a tarifa zero
Mensagem sobre a tarifa zero tramita na Câmara, mas grupo de trabalho formado por lideranças empresariais e pelo Executivo também vai tratar do tema
A criação de um grupo de trabalho envolvendo lideranças do município e o setor empresarial é uma etapa importante no projeto, ora em tramitação na Câmara Municipal, estabelecendo a tarifa zero no transporte coletivo de Juiz de Fora. Com tantas frentes, é possível chegar a um consenso em uma matéria de tamanha relevância.
Caixa de ressonância dos anseios populares, pois o mandato nada mais é do que uma procuração dada pela população, os vereadores são estratégicos no processo não apenas em razão de suas prerrogativas de voz e voto, mas também por terem meios de ampliar a discussão que agora ganha novos atores no grupo de trabalho.
Em princípio, o setor empresarial vai colocar em pauta suas apreensões, que começam com os novos patamares em sua cota-parte no processo de financiamento do projeto. A meta é obter detalhes da iniciativa e apresentar, por seu turno, sugestões que entendem ser necessárias para implementação da tarifa zero na cidade.
Em várias partes do país, o projeto já é uma realidade, mas são municípios de menor porte populacional e geográfico, o que implica custos mais baixos para o município e para os demais parceiros. Em cidades com mais de 500 mil habitantes, há estudos, mas ainda não há um projeto consolidado. Belo Horizonte também tem essa agenda, mas há consenso na capital por tratar-se de uma meta de médio prazo.
A tarifa zero é um avanço para a cidadania, por facilitar a mobilidade de quem tem no transporte um custo extra. Ela também induz a outros benefícios, como redução do número de automóveis nas vias centrais – o que faz parte de uma tendência mundial de menos carros e mais transporte público.
Mas há custos a serem avaliados, como o volume de usuários, que certamente irá aumentar substancialmente, e como as empresas vão garantir essa nova demanda. O transporte de qualidade é um princípio, meio e fim e não pode reduzir seus patamares mesmo com a gratuidade.
Há muitas perguntas, e a discussão que se desenvolve dentro e fora da Câmara é importante para o próprio Executivo, pois, ao fim e ao cabo, em havendo um texto comum, terá parceiros e não adversários na finalização do documento, embora tenha sido sua a iniciativa.
Não há data para a conclusão dos debates e votação na Câmara, mas é certo que, mesmo já estando em tramitação nas comissões permanentes, é uma questão que carece de avaliação serena, apartada do viés ideológico do contra ou a favor. O olhar deve ser único em torno dos benefícios para a população e, é fato, para o modelo de financiamento de um projeto que deve ser adotado para uma execução definitiva.
A criação de um grupo de trabalho não inibe a ação da Câmara, a quem cabe a prerrogativa de analisar e votar projetos oriundos do Executivo