Pesquisa Genial/Quaest aponta sensação de insegurança da população do Rio de Janeiro
De acordo com a Genial/Quaest, população apoiou a invasão das comunidades do Alemão e da Penha, mas teme a retaliação dos traficantes, o que aumenta a sensação de insegurança
Genial/Quaest. A instância política terá que se dedicar um pouco mais para ganhar a atenção da população em torno da segurança pública. De acordo com os institutos de pesquisa que se dedicaram ao tema, a maioria apoiou a operação nos Complexos da Penha e do Alemão, deu respaldo ao governador Cláudio Castro, mas teme as consequências. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último domingo, a operação policial não conseguiu produzir mais sensação de segurança nos moradores do Estado do Rio de Janeiro: 52% se sentem menos seguros, enquanto 35% se sentem mais seguros.
Em outra abordagem, os pesquisadores constataram que 87% dos pesquisados consideram que o Rio vive uma situação de guerra, que se replica em outros estados, mas não na mesma proporção. Para 50%, a Polícia Militar deve abordar um criminoso para tentar prendê-lo sem atirar, mas 45% – há, pois, um empate técnico – defendem que a PM deve chegar atirando.
No meio desse fogo cruzado, não há surpresa quando a população também se divide sobre a segurança pública. Esse é o recado repassado especialmente ao Congresso Nacional, no qual tramitam leis que tratam do tema. Não basta criar leis se elas não forem factíveis. Jogar para a arquibancada, agora, é um passo atrás, pois o que o povo menos espera é a politização do tema, embora ela já esteja em curso.
A lei antifacções e a PEC da Segurança Pública podem e devem ser aperfeiçoadas com o olhar da oposição, mas não faz sentido protelar a votação quando está claro que é preciso fazer alguma coisa.
A operação no Rio de Janeiro foi reveladora ao apontar o intercâmbio dos grupos armados, que já não se situam apenas no eixo Rio-São Paulo. Pelo menos 30 mandados de prisão se destinavam a criminosos oriundos do Estado do Pará. As armas recolhidas tinham procedência diversa.
Outra constatação, percebida pelos próprios agentes, é que não há meios de as polícias estaduais serem capazes de reverter o quadro. De acordo com a Genial/Quaest, 62% dos moradores do Estado do Rio de Janeiro entendem que a PM não tem capacidade de combater o crime organizado sozinha, enquanto 36% entendem que sim. O carioca acredita que vive uma guerra, mas não tem certeza de que sua PM pode defendê-lo apropriadamente.
Como destacou o pesquisador Felipe Nunes, diretor da Quaest, “para completar esse quadro de medo e preocupação, a pesquisa revela uma insatisfação significativa: para 53% dos moradores do estado, o Governo federal não tem ajudado os estados no combate às organizações criminosas, e para 24% tem ajudado pouco”. Os dois lados precisam conversar.
É esse diálogo que está faltando nas instâncias institucionais. O escritório anunciado pelo governador Cláudio Castro e pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi mais uma jogada para a plateia do que um dado real. A União – que seja pela PEC da Segurança – tem que firmar um pacto com todos os entes federados, envolvendo também os municípios, pois, só assim, com integração, inteligência e esforço conjugado, será possível atender ao anseio da população.