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É hora de pacificar a relação entre o Governo e o Congresso e quebrar a tensão em Brasília

É hora dos “bombeiros” para pacificar a relação do Governo e do Congresso e quebrar a tensão em Brasília


Por Paulo Cesar Magella

04/07/2025 às 07h34

  O grau de tensão em Brasília chegou a um ponto no qual é hora de se chamar os “bombeiros”. O PT usou sua expertise no debate social e foi às redes com o discurso de ricos contra pobres – o que ficou muito claro quando o próprio presidente Lula, em evento na Bahia, levantou um cartaz com tais dizeres. A questão, agora, não é o surrado enfrentamento entre esquerda e direita, embora esse também seja o pano de fundo.

  A questão central, no entanto, não é saber quem vai ganhar, e sim quem vai perder. A primeira análise não aponta vencedores, e sim derrotados, pois um embate de tamanha contundência, em vez de solução, só leva a crises, algo bom apenas para os que apostam no caos.

  Mesmo com a eleição de 2026 colocada à mesa, não faz sentido sustentar uma série de impasses que podem corroer as duas instituições. Tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam descer do salto e entender que suas idiossincrasias não levam a lugar algum. 

  A nova estratégia do Governo pode dar resultados de curto prazo, mas, se ele também não apresentar uma agenda capaz de enfrentar os reais problemas do país, corre o risco de ampliar a pauta da oposição. 

  A polarização, que ainda tem forte apelo no debate político, se faz mais presente nos parlamentos do que nas ruas, ante o claro cansaço da população. O novo discurso só vai se sustentar se, de fato, forem criadas soluções que contemplem os segmentos que, de fato, precisam de apoio. 

  A demonização na política é o pior dos mundos, sobretudo quando desconstrói projetos e não apresenta alternativas adequadas em sua substituição. Como foi tratado neste mesmo espaço, as pesquisas mostram descompassos entre o debate político e a opinião pública em diversas demandas. Há consenso na ampliação dos benefícios para pagamento do imposto de renda, mas ele não se repete quando se trata de aumento de tributos para o chamado andar de cima.

  E é nesse ponto que o Governo tenta recuperar o seu prestígio. Dará certo? O melhor caminho é todos voltarem à mesa e buscarem pontos comuns que possam ser levados a plenário. E são muitos quando envolvem o interesse público. 

  Tratar a política com o fígado serve mais para o público interno do que para os setores que, de fato, precisam de apoio. O novo embate agrada determinados núcleos, mas as redes sociais mostram que, em vez de guinar o processo a favor de um dos lados, aumenta a tensão, uma vez que ninguém quer perder essa “briga”, que interessa a poucos, mas prejudica muitos.