Pagot se diz ‘envergonhado’ pela 440
Um dia após defender a manutenção da obra da BR-440, o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, lamentou as condições do empreendimento e defendeu que a obra seja paralisada e que as responsabilidades sejam investigadas. Se a empresa tiver de devolver dinheiro, que se viabilize isso e que se busque uma melhor solução, porque o povo de Juiz de Fora não merece isso. Ele participou de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados, na manhã e tarde de ontem, em decorrência do escândalo envolvendo suspeita de superfaturamento de obras no Ministério dos Transportes. As denúncias levaram à renúncia do ministro Alfredo Nascimento e ao afastamento de quatro funcionários do Dnit. Como havia feito no Senado, na terça-feira, Pagot negou participação em eventuais irregularidades.
Ao ser indagado pelo deputado Júlio Delgado (PSB) a respeito da BR-440, no entanto, o diretor afastado reconheceu a existência de problemas na obra. O parlamentar argumentou que a rodovia, que passa pela área urbana de Juiz de Fora, seria exemplo de um desastre de gestão do Dnit. Ele relatou que se reuniu com representantes dos ministérios dos Transportes e do Planejamento para questionar a obra da BR-440. Na ocasião, disse ter levado às autoridades os preços e o estágio do empreendimento. Quinze milhões o quilômetro? Nem na Lua. Júlio também confirmou que o Dnit foi informado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) sobre a inviabilidade da obra em Juiz de Fora. A empresa contratada estava colocando manta asfáltica em nascente para secar uma das represas que abastece a nossa cidade. Isso foi documento do Ibama para Dnit, afirma o deputado.
Ao responder Júlio, Pagot se disse envergonhado sobre a construção da BR-440 e defendeu que a obra seja paralisada e que as responsabilidades sejam investigadas. Júlio, por sua vez, concordou e pediu que alguma providência seja tomada. Agora tem que arrumar o buraco que foi aberto, tem que tirar encosta, tem que remover a manta asfáltica, e eu quero saber quem vai consertar. Ao término da sessão, quando o deputado não estava mais no comissão onde acontecia a audiência, Pagot voltou ao assunto da BR-440. Ao constatar a ausência do parlamentar juiz-forano, disse que não falaria. Chamado por assessores, Júlio voltou ao local e foi questionado pelo diretor afastado do Dnit sobre sua participação no lançamento da obra da BR-440. O deputado negou e, depois de uma análise de sua agenda de 2009, lembrou que estava fora do país na ocasião.
A questão da BR-440 voltou também ontem à pauta da Câmara de Juiz de Fora. Indignado com a interrupção da obra, que considera ser um atraso para Juiz de Fora, o vereador Júlio Gasparette (PMDB) prometeu, para próxima semana, um laudo técnico mostrando a viabilidade do empreendimento. Ele também criticou a postura de Júlio Delgado. Os vereadores José Sóter Figueirôa (PMDB), Isauro Calais (PMN), Flávio Cheker (PT) e Roberto Cupolillo (Betão, PT) pediram investigação por conta das denúncias de superfaturamento e dos possíveis danos ambientais.