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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI

30/01/2014 às 07h00

Para cabra-hôme

ALibertadores da América é o campeonato mais difícil do mundo. Já foi mais, quando a situação econômica dos países da América do Sul, antes mesmo da entrada dos mexicanos no certame, era mais equilibrada. Hoje, com o Brasil arrotando o status de sétima maior economia do mundo, o trem desandou. Nos últimos dez anos, foram seis clubes brasileiros campeões, dois argentinos, um colombiano e um equatoriano. Os quatro últimos, desde 2010, foram Internacional, Santos, Corinthians e Atlético-MG.

Libertadores é pra cabra-hôme (opção sexual não vem ao caso). Menino criado a leite de pera não vinga nas andanças pelas terras por onde caminharam incas, maias, astecas, tupis e guaranis. Ao Sul do Equador o buraco é mais embaixo. Nesta edição de 2014, porém, o favoritismo continua do lado de cá da linha de Tordesilhas. Os times brasileiros, entre os quais se ouve cada vez mais o portunhol, são mais ricos (mesmo quebrados) e, portanto, mais fortes.

Não que seja – jamais será – fácil para os tupiniquins. A Libertadores continua osso duro. Ainda há a catimba argentina, que é igual à uruguaia (embora ambos detestem a comparação), o jogo duro dos paraguaios, os árbitros-que-não-dão-qualquer-faltinha, as altitudes andinas, os caldeirões, a inutilidade do português em um continente em que todo mundo fala a língua de Pizarro.

Todo mundo menos nós, colonizados por uns bonachões vindos das barras do Tejo e, por isso, mais estrangeiros que todos os estrangeiros da vasta América Latina.