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Maracanã 75 anos: juiz-foranos relembram momentos marcantes no estádio

Palco mais importante do futebol brasileiro, o Maracanã faz parte da vida de torcedores de Juiz de Fora


Por Vinicius Soares

29/06/2025 às 06h00

O Maracanã completou, no dia 16 de junho, 75 anos de existência. Palco de duas finais de Copa do Mundo e outras grandes decisões, como Libertadores, Sul-Americana, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, o local faz parte não só da história do futebol mundial, mas também da vida de vários torcedores. Para celebrar o aniversário do principal estádio do Brasil, a Tribuna conversou com juiz-foranos que tiveram passagens marcantes no estádio mais importante do futebol brasileiro.

“Um momento que posso chamar de felicidade”

Leandro Pyramides é daqueles flamenguistas roxos. O torcedor acompanha o Flamengo nas arquibancadas desde 1988, quando, com 10 anos à época, assistiu à partida entre o rubro-negro e o Argentinos Juniors, que marcou a inauguração do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Desde então, o juiz-forano passou a ser figura cativa nas arquibancadas do Maracanã. “Quando eu cheguei no centésimo jogo, eu parei de contar”, afirma.

Leandro presenciou jogos dos mais variados tipos: desde fuga do rebaixamento a decisões de Libertadores. Dentre esses, o mais marcante, para ele, foi a final do Campeonato Carioca de 2019, em que o Flamengo foi campeão em cima do Vasco. “Eu tenho um irmão especial, e a minha maior alegria foi o dia que eu consegui levá-lo, junto com meu pai e minha mãe, pela primeira vez no Maracanã. Esse jogo me marcou muito, porque ver a alegria do meu irmão não teve preço e, depois que ele foi comigo, passou a ir sempre”, relata.

Apesar de a partida não carregar a mesma importância esportiva se comparada a jogos de fases mata-mata da Libertadores, Leandro entende que o fato de proporcionar uma alegria inédita para sua família supera tudo. “Esse jogo envolveu as coisas que eu mais amo na vida: meu irmão, o Flamengo e o Maracanã. Vê-lo na arquibancada vendo o Flamengo conquistar um título foi indescritível. O dinheiro compra muita coisa, mas não compra tudo. Aquele é um pequeno momento da minha vida que eu posso chamar de felicidade”, descreve Pyramides.

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Leandro (de óculos) e o irmão, Leonardo, passaram a ser companheiros de arquibancada (Foto: Arquivo pessoal)

Conexão com o pai

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Vitor carrega a memória de seu pai a cada ida ao Maracanã (Foto: Arquivo pessoal)

Assim como Leandro, o tricolor Vitor Crivelari também possui uma ligação familiar com o Maracanã. O juiz-forano, mesmo pertencendo a uma família com muitos flamenguistas, escolheu torcer para o Fluminense quando ganhou uma camisa do clube de seu pai, quando tinha 4 anos.

Desde pequeno, Vitor sempre alimentou o desejo de ir ao Maracanã quando assistia aos cariocas pela televisão e via a festa promovida pela torcida do Fluminense. Sua primeira ida ao estádio aconteceu aos 12 anos, mas não para acompanhar uma partida. Juntamente com seu pai, Crivelari conheceu apenas o museu presente no local.

O sonho de Vitor era assistir a um jogo do Fluminense no Maracanã com seu pai, mas não foi possível, pois ele faleceu antes da primeira ida do juiz-forano ao estádio. “Quis o destino que isso não fosse possível, mas depois disso passei a frequentar o Maracanã em quase todos jogos do Fluminense. Meu sentimento é que quando estou na arquibancada, ele está do meu lado vibrando e se emocionando com o Fluminense junto comigo”, descreve.

De todas as idas ao Maracanã, Vitor relembra de quando foi ao estádio para assistir ao jogo de ida da final da Copa do Brasil de 2007. Na ocasião, o pneu do ônibus que transportava a excursão de Juiz de Fora furou na Avenida Brasil, uma das vias mais movimentadas do Rio de Janeiro.

“Cerca de 40 torcedores saíram para tentar ajudar o motorista trocar o pneu, uns fazendo força com a mão para levantar, outros tentando engatilhar o macaco para suspender logo o ônibus, e outros atormentando o motorista. João de Deus (Papa que ficou identificado com o Fluminense) abençoou e seguimos para o jogo. Andando um pouco mais, estava tudo parado no viaduto perto do Maracanã, e o outro pneu, dessa vez na parte traseira do ônibus, estourou”, recorda.

Vitor conta que ele e os demais torcedores seguiram a pé até o Maracanã indignados com a situação, acreditando que seria uma “maré de azar”, mas o pensamento rapidamente foi embora quando entraram no estádio. “Nos misturamos com a torcida do Fluminense que já estava lá, fizemos a festa e vimos o Adriano Magrão empatar o jogo no último minuto”, relata.

O gol de Adriano Magrão foi fundamental para o Fluminense, já que evitou a derrota no Maracanã no jogo de ida da final da Copa do Brasil. Em Florianópolis, o tricolor venceu por 1 a 0, e conquistou seu primeiro e único título da competição.

A primeira vez a gente nunca esquece

Daniel Cedrola, vascaíno, vem de uma família flamenguista. Suas primeiras experiências no estádio, porém, vieram com a família de um dos seus melhores amigos. O juiz-forano, escondido de seu pai, Mauricio José de Souza, ia acompanhar o Vasco tanto nas arquibancadas do Maracanã, como em São Januário.

Cedrola entende que, apesar de o Vasco ter São Januário, o Maracanã também é a casa do Gigante da Colina, e reforça que a relação entre o clube e o estádio é forte. “O Vasco foi o primeiro clube campeão no Maracanã, logo na inauguração do estádio. Eu mesmo comemorei vários títulos no Maracanã. Um deles foi o Brasileiro de 1997, sobre o Palmeiras. A relação do Vascaíno com o Maracanã é de muito amor, de muita nostalgia, de muita lembrança. Temos lembranças muito boas do Maracanã, dos grandes clássicos”, analisa.

Daniel afirma que superou a marca de cem jogos no Maracanã, mas uma das idas possui um lugar especial para ele. No dia 9 de agosto de 2015, data em que foi celebrado o Dia dos Pais, o vascaíno, juntamente com seu pai, flamenguista, e seu filho, assistiu ao empate sem gols entre Vasco e Joinville, pelo Campeonato Brasileiro. Apesar do resultado decepcionante, a partida ficou marcada para Cedrola pois foi a primeira e única vez que seu pai foi ao Maracanã. “Também foi a primeira vez que assisti a um jogo com meu filho Miguel no Maracanã. Foi muito especial para nós”, relembra.

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Daniel acompanhou com o pai Mauricio, flamenguista, uma partida do Vasco no Dia dos Pais (Foto: Arquivo pessoal)