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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

20/07/2012 às 07h00

A diferença de um projeto

O ano de 2009 foi esfuziante para as duas maiores torcidas do país. Voltando à elite nacional, o Corinthians apostou em Ronaldo. Conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil. O Flamengo repatriou Adriano e foi uma pouco além, sagrando-se campeão estadual e voltando a vencer o Brasileirão, após 17 anos. O bom momento dos gigantes deixou meio Brasil em festa. Os dois clube pareciam ter reencontrado suas tradições gloriosas. Entretanto, as comparações não chegaram nos anos seguintes.

O Timão se manteve em evidência. Com uma gestão ousada e profissional, venceu o Brasileiro do ano passado e, na atual temporada, fez o que muitos consideravam impossível. Levantou o troféu da Libertadores de forma inconteste. Invicto. No mesmo período, o Rubro-Negro perdeu a chance de se manter no topo e explorar seu gigantesco potencial de marketing. O clube se perdeu em uma administração amadora. Sucumbiu em apostas erradas. Ficou refém de um falso agora, eu sou Mengão, dito por um Ronaldinho que passou longe do mínimo que se esperava de uma estrela, dentro das quatro linhas ou como fonte de recursos. Um fiasco, como a eliminação na primeira fase da mesma Libertadores conquistada pelos paulistas.

A falta de um projeto apresentável na Gávea chegou ao cúmulo ontem. A forma como o meia Riquelme recusou a proposta flamenguista foi vergonhosa. Ele viu o jogo de quarta, o que o deixou muito inseguro. Ele colocou o motivo de não aceitar: questões futebolísticas. Não adianta dar mais dinheiro. Frases do próprio diretor de futebol do clube, Zinho. De tanta ingerência, o Fla perdeu seu poder de sedução. Era um clube onde qualquer jogador brasileiro sonhava em atuar. Agora, não consegue contratar um jogador sequer, mediante o fechamento iminente da janela de transferências.

Enquanto isso, o noticiário corintiano é bem diferente. Embora também não tenha acertado nenhuma contratação de última hora, as manchetes foram outras. Alvo do Timão, Gil lamenta postura do Valenciennes. Esposa de Rojas xinga presidente da La U por recusar oferta corintiana. Sem liberação, Nenê lamenta não defender o Corinthians. Mais do que no campeão da Libertadores, a sensação é de que todos querem jogar em uma equipe com projeto e estrutura bem definidos. A diferença entre os dois clubes, tão parecidos, é gritante. Bem maior que os 3 a 0 da última quarta. O hino alvinegro pode servir como inspiração. É preciso salvar o Flamengo, com uma administração que o coloque no rumo certo.