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Professor da UFJF disputa as Surdolimpíadas com a seleção brasileira de handebol

Douglas Komar fez parte da campanha histórica que culminou no sexto lugar


Por Vinicius Soares

05/12/2025 às 06h00

Professor da UFJF disputa as Surdolimpíadas com a Seleção Brasileira de handebol
Douglas disputou a sua primeira Surdolimpíadas em novembro (Foto: CBDS)

O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Douglas Komar participou das Surdolimpíadas, evento organizado pelo Comitê Internacional de Esportes para Surdos (ICSD) e realizado em Tóquio de 15 a 26 de novembro. O atleta fez parte da seleção brasileira de handebol, que conquistou sua primeira vitória na história da competição, obtida contra o Japão por 27 a 24, e terminou na sexta colocação.

Surdo desde um ano e quatro meses, após um quadro de meningite, Douglas começou a jogar handebol na escola de surdos onde estudava quando criança e se apaixonou pela modalidade. “Fiquei um período afastado das quadras por mudanças de estado e questões profissionais, mas o handebol sempre fez e ainda faz parte da minha vida”, relata.

Apesar do afastamento do handebol em virtude de questões pessoais e profissionais, Douglas afirma que isso não foi um empecilho para reconquistar o seu espaço na seleção, onde acumula convocações há mais de dez anos. “Nos últimos anos voltei a treinar com dedicação total para recuperar meu nível e conquistar essa nova convocação”, diz o professor.

Douglas não pôde participar das Surdolimpíadas de 2022, realizadas em Caxias do Sul, pois o torneio coincidiu com a semana de provas do concurso para professor efetivo da UFJF. Por isso, a convocação para a edição deste ano teve um gosto especial. “Quando recebi a notícia da convocação para Tóquio, foi impossível segurar a emoção. Eu chorei. Era um sonho de muitos anos. Eu tinha voltado a treinar intensamente, com disciplina, foco e sacrifícios pessoais, justamente para ter essa chance. Ser convocado foi a confirmação de todo esse esforço e uma das maiores alegrias da minha vida esportiva”, descreve.

Desempenho histórico

O Brasil estava no Grupo A das Surdolimpíadas, juntamente com Alemanha, Turquia e Japão, anfitrião do torneio. Graças à vitória sobre os donos da casa, a seleção conseguiu avançar às quartas de final, onde foi eliminada pela França. A equipe venceu o Quênia na preliminar da disputa pelo quinto lugar, mas foi derrotada pelos turcos na decisão e, com isso, terminou na sexta posição. “O nível das equipes europeias é altíssimo, muitos atletas treinam regularmente, disputam campeonatos com clubes ouvintes e contam com uma estrutura muito maior do que a realidade brasileira”, analisa Douglas.

Para Douglas, o desempenho brasileiro nas Surdolimpíadas foi histórico, assim como poder fazer parte deste momento. “Representar o Brasil em um evento desse tamanho — e ainda participar de um momento histórico para o handebol de surdos, foi algo indescritível para mim”, diz o professor.

Espaço para inclusão

Douglas classifica as Surdolimpíadas como o maior evento esportivo do mundo destinado a atletas surdos, com representantes de países de todos os continentes. “Elas reforçam que o esporte é também um instrumento de cidadania, identidade e orgulho para a comunidade surda. É um espaço de inclusão, visibilidade e valorização do atleta surdo, que mesmo com poucos recursos em muitos países, como no Brasil, entrega desempenho de alto nível. No nosso caso, por exemplo, só conseguimos treinar presencialmente com a seleção uma vez por mês, o que torna os desafios ainda maiores”, avalia.

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Seleção se encontra apenas uma vez por mês para treinamentos (Foto: CBDS)

Apesar das dificuldades enfrentadas no Brasil, a possibilidade de evidenciar o potencial, o talento e a representatividade da comunidade surda servem como combustível para os atletas. “Nós seguimos lutando, representando o país e mostrando que investimento, acessibilidade e apoio ao esporte surdo fazem toda a diferença”, afirma Douglas.

Resumo desta notícia gerado por IA

  • Professor da UFJF, Douglas Komar integra a seleção brasileira de handebol de surdos nas Surdolimpíadas de Tóquio e ajuda a equipe a alcançar o sexto lugar.
  • O Brasil conquista sua primeira vitória na história das Surdolimpíadas ao derrotar o Japão por 27 a 24 e avança até as quartas de final.
  • Douglas relata trajetória marcada por afastamento temporário, retorno aos treinos intensos e emoção com a convocação para o torneio no Japão.
  • O professor destaca o papel das Surdolimpíadas na inclusão e valorização da comunidade surda e defende mais investimento e acessibilidade no esporte surdo brasileiro.

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