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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

04/01/2013 às 07h00

Faz alguns anos que não vejo um início de ano tão insosso no que diz respeito às transferências no mercado jogadores, comumente aquecido e incendiando esperanças e delírios de clubes e torcida. Os dirigentes pisam em ovos e contam moedas em um cenário inflacionado. Qualquer zé da esquina custa milhões nos devaneios insaciáveis dos empresários. A coisa está chata e a mídia é alimentada por especulações que só interessam aos urubus do esporte.

Porém a coisa esquentou ontem. Dois acertos chamaram a atenção pela qualidade e cifras envolvidas. Melhor para os paulistas. O Santos parece ter encontrado em Montillo alguém para fazer companhia a Neymar. O troca-troca parecia ser o grande fato do dia. Até o Corinthians repetir a sina de protagonista recorrente em 2012, com o anúncio de Alexandre Pato. Dois reforços com qualidade inquestionável, que devem estar babando para silenciar críticas e questionamentos recentes.

Enquanto os clubes paulistas se reforçam bem – Renato Augusto (Corinthians) e Lúcio (São Paulo), por exemplo, já haviam sido anunciados -, a situação no Rio de Janeiro é oposta. A negociação de destaque até então foi a do lateral-direito Wellington Silva, que deve trocar o Flamengo pelo Fluminense. De resto, reforços por atacado em Vasco e Botafogo, trazidos por empresários ávidos por vitrines; e o Rubro-Negro que, por ora, só cercou sem machucar ninguém. Em Minas, o cenário é o mesmo.

O fato é que, em um futebol cada vez mais organizado, a questão financeira terá um peso maior a cada ano. Será o fiel da balança. Ao que parece, alguns clubes paulistas aprenderam a valer-se das grandes possibilidades abertas pelo fato de estarem localizados no maior centro financeiro do país. Se essa é a tendência, cariocas e mineiros precisam se reestruturar economicamente para que o futebol brasileiro não perca aquilo que tem de melhor: a competitividade.

Paulistas na frente