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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI

03/01/2013 às 07h00

Clube-vitrine

Juiz de Fora, como é de conhecimento público, é a cidade da permuta. Trancafiados nas coberturas e nos apartamentos um por andar da Zona Sul, ou então nas granjas e mansões de condomínios meio que fechados da Cidade Alta, o dinheiro não circula. Quando muito, dá uma pinta no Leblon ou na Champs-Élysées, ou roda sobre pneus de R$ 2.500 cada nas ruas esburacadas da Manchester do Brejo. Mas de portas bem trancadas, para não correr o risco de vazar.

Assim sendo, o pessoal daqui, muito seguro, adquiriu o hábito de trocar: eu te dou um negócio, você me dá outro, a gente não põe dinheiro no meio, assim ninguém briga e fica todo mundo feliz. É uma evolução mercantil do mostra o seu que eu mostro o meu. Daqui a pouco param de construir estacionamentos e boxes de vidro no meio da cidade, passam às hortas, galinheiros e currais e aí sim, a gente volta de vez pro escambo.

Compreendido o panorama, fica difícil acreditar que o Tupi, este ano ou em qualquer outro, vá conseguir arrancar dinheiro do empresariado local. Permuta serve para muita coisa, andar de carro, jantar, ir ao cinema, botar a meninada na escola, andar com roupa de grife… mas pra montar time de futebol, não dá. Um benefício aqui e outro ali, um produto, um serviço, o Carijó sempre arranja. E tem a Prefeitura, que sempre bota uma grana – o que é algo questionável sob diversos aspectos, os quais não cabe aqui levantar. Mas dinheiro mesmo, parceria comercial para montar um elenco forte, não tem.

Até que haja uma improvável reviravolta, uma profunda mudança de gestão no futebol alvinegro, que leve o clube a atrair parceiros e investidores, a saída para o Tupi talvez seja assumir de vez a personalidade de clube-vitrine. O Campeonato Mineiro é o terceiro estadual mais importante do Brasil, ao lado do Gaúcho. Enquanto estiver na Primeira Divisão, o Alvinegro será um relevante veículo de divulgação para clubes que têm elencos muito inchados e para empresários que ficam caçando lugar para seus jogadores mostrarem serviço. Para estes, o Carijó é menos um clube e mais um trampolim. Hoje, o Tupi não é lugar de ficar. É lugar de passar. E por agora, é nessa via torta que repousa a esperança de dias melhores para a torcida.