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Em Tiradentes, mostra Territórios Mineiros celebra a diversidade do cinema feito no estado

Curtas exibidos dialogam com o tema ‘soberania imaginativa’ ao mesmo tempo que trazem temáticas que fazem parte do cotidiano mineiro


Por Elisabetta Mazocoli

25/01/2026 às 07h00

Sete-Luas-DistantesO-tempo-da-farinhaDentro-do-meu-peito-mora-um-cãoCordões-e-Sinos-de-Além-mar
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'Dentro do meu peito mora um cão' (Foto: Reprodução)

A Mostra de Cinema de Tiradentes faz a curadoria de curtas que vão do Norte ao Sul de Minas Gerais. Na seleção chamada de Territórios Mineiros, os oito filmes escolhidos buscam apresentar a pluralidade audiovisual do estado, com produções que dialogam com o tema “soberania imaginativa” ao mesmo tempo em que trazem temáticas que fazem parte do cotidiano mineiro. Essa mostra dentro do festival funciona como uma vitrine para o Brasil do cinema feito em Minas — mas a contribuição do estado não se limita a esse espaço. Em duas sessões, os curtas exibidos vão mostrar parte do complexo painel geográfico e sociocultural do território mineiro, fortalecendo o vínculo com as comunidades e tradições dentro da mostra.

Em 2026, a primeira sessão da Territórios Mineiros valoriza a musicalidade como eixo sensível que articula narrativas, personagens e territórios, trazendo também memórias familiares, práticas religiosas e gestos performáticos. A exibição acontece no domingo (25), às 18h30, no Cine-Tenda, e terá os curtas “Cordões e sinos de além-mar”, de Yuji Kodato e Jeremias Brasileiro, “Dentro do meu peito mora um cão”, de Gabriel Afonso, “Mazinho do Trompete”, de Mayara Mascarenhas e “Sete luas distantes”, de Alexandre Kroner Moreira.

A outra sessão acontece no segundo final de semana do evento, no sábado (31), às 19h, no Cine-Teatro, com curtas que estabelecem diálogos entre tradição e contemporaneidade articulando trabalhos manuais, ofícios ancestrais e experimentações estéticas que tensionam o tempo e a matéria a partir de práticas comunitárias e gestos artísticos. Participam os curtas “Kastora dos anjos”, de Theo Guarnieri, “Minhocuçu”, de Leonardo Branco e Lucas Campos, “O tempo da farinha”, de Daniela Paoliello e “Som João del-Rei” de Rabay Artemídia e Joan Román.

A curadoria recebeu cerca de 1500 curtas para participar da Mostra, e fez a filtragem de acordo com a temática do festival e o desenho do que seria a programação. É o que explica o curador Leonardo Amaral, que enxerga na seleção dos filmes que compõem a Territórios Mineiros um olhar atento para o universo do trabalho, as festividades que acontecem nas cidades e os seus personagens reais. “Fazemos esse desenho da Territórios Mineiros pensando na pluralidade regional. O que a gente tenta pensar é que essa mostra precisa de outra possibilidade, com filmes de várias cidades que têm sua pluralidade temática e visual, para pensar o que está sendo feito nessas várias regiões. Minas Gerais é um estado muito grande, e que é muito diferente entre si”, destaca ele. Neste ano, não há filmes de Juiz de Fora na seleção — apesar dos curtas da cidade já terem participado da programação de Tiradentes em outros anos.

Formação de público e memória

Os filmes de Minas, no entanto, também estão na mostra Foco (“Kakxop pahok: as crianças cegas”, de Cassiano Maxakali e Charles Bicalho), na mostra Aurora (“Para os guardados” de Desali e Rafael Rocha) e Mostrinha (“Natureza”, de Sheila Rodrigues e Jaqueline Lopes Diniz), por exemplo. Para o curador, a intenção é valorizar a produção feita em Minas, mas também perceber como caminha o audiovisual no estado. “Tentamos entender, a partir dessa mostra, o que tem acontecido no estado, tanto no sentido das universidades e das escolas de cinema quanto em como as políticas públicas têm contribuído para isso”, diz. Para ele, outro ponto forte dessa seleção é mostrar que a diversidade de Minas não é apenas territorial, mas também de gênero e raça, tendo um cinema negro e indígena bastante potente.

Ainda que a Territórios Mineiros seja uma mostra separada, Leonardo explica que ela mantém o gesto de inventividade que dialoga com a temática de soberania imaginativa. E isso exerce também o papel de formação do público de Tiradentes e região que vai assistir aos filmes, assim como dos outros estados que pode entender o que está sendo feito em Minas também fora dos grandes centros. Nesse sentido, a mostra “oferece visibilidade para os filmes e novos realizadores, como frisa o curador”. E continua: “Muitas vezes esses filmes estão sendo feitos por pessoas que estão fazendo seu primeiro ou segundo curta. Como Tiradentes tem essa visibilidade nacional, muita gente pode conhecer melhor essa cinematografia que está sendo feita em Minas Gerais”, diz.

Caminhos futuros

A existência dessa mostra também ajuda a apontar caminhos futuros para o audiovisual em Minas Gerais. “Acho que é uma produção de novos realizadores, com a tendência de ver filmes sendo realizados a partir de políticas públicas e que possam continuar fazendo filmes e os exibindo. Pensamos em como isso pode ser expandido em produção, e que saia cada vez mais desses grandes centros também”, destaca Leonardo.

*A repórter viajou a convite da Mostra