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Clássicos em verde e amarelo


Por RENATA DELAGE

22/07/2012 às 07h00

Para o maestro Luis Maurício Carneiro, não há dúvida do valor da música nos âmbitos educacional e social. É uma linguagem tão poderosa que nos impulsiona, promove ou destrói, nos enche de entusiasmo ou, muitas vezes, nos deixa melancólicos e contemplativos. Ela tem uma força incrível na vida das pessoas e se transforma em uma grande e positiva ferramenta em diversos aspectos, quer seja educando, socializando ou estruturando psicologicamente, defende. Carneiro comanda a regência da Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino, da cidade fluminense de Campos dos Goytacazes, que se apresenta neste domingo, às 20h30, no Cine-Theatro Central, como mais um dos destaques do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora. Uma hora antes, o público pode participar do comentário didático com o professor Rodolfo Valverde.

Pertencente à Academia de Orquestras e Coros Sinfônicos do Brasil, o grupo sinfônico, composto por 85 integrantes entre 10 e 19 anos, é mantido desde sua fundação, em 1998, pela ONG Orquestrando a Vida. Envolvendo mais de mil crianças e adolescentes de baixa renda, a iniciativa beneficia indiretamente cerca de dez mil familiares. Precisamos entender que a música está muito além dos palcos e dos modelos artísticos. O ser humano é mais importante em todo o processo. É preciso se doar de alguma forma, compartilhando o que temos de mais precioso em nossas vidas, como se fôssemos pontos de luz, contagiando e sendo contagiados, ressalta o maestro.

A sinfônica vem sendo considerada uma iniciativa inédita, não só no Estado do Rio de Janeiro, mas no Brasil e na América do Sul, por ser a primeira orquestra brasileira a fazer parte do projeto venezuelano El sistema, da Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infatiles de Venezuela (FESNOJIV), instituição que encoraja o intercâmbio entre professores e alunos de diversas localidades. As portas se abriram em vários sentidos desde que tivemos a oportunidade de conhecer o ‘El sistema’. Desde então, trabalhamos para desvendar os segredos deste modelo educacional que vem sendo divulgado e copiado em diversos países de todos os continentes, explica o regente, que em 1997 integrou a Orquestra Sinfônica Ibero-Americana durante a VII Cumbre Iberoamericana de Jefes de Estado y Gobierno, participando de diversos concertos na Venezuela.

O projeto de Campos, que conta com direção geral do maestro Jony William Villelate, contabiliza turnês por países da América do Sul, como Paraguai, Argentina e Bolívia, além de, no último ano, ter se apresentado nos Estados Unidos, encerrando turnê no Carnegie Hall, em Nova York. O ano de 2011 também foi marcante para o grupo pelo concerto de abertura das comemorações dos 102 anos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

ORQUESTRA SINFÔNICA MARIUCCIA IACOVINO

Domingo, comentário didático, às 19h30, concerto, às 20h30

Cine-Theatro Central

(3215-1400)

Concerto vespertino

A abertura dos concertos vespertinos neste domingo vai contar com a apresentação da Orquestra de Câmara do Pró-Música. Com solo do oboísta André Gama e coordenada pelo maestro Nelson Nilo Hack, a orquestra, que já se apresentou nas salas de concertos mais importantes do país, executando músicas como A missa da coroação, (Mozart), Glória, (Vivaldi), Festa de Alexandre, (Haendel) e Paixão segundo São Mateus, (Bach), vai levar para a Igreja do Rosário repertório erudito, com destaque para a música colonial brasileira.

Com o projeto Renomados Solistas com Orquestra de Câmara, o grupo já se apresentou ao lado de grandes nomes como Nelson Freire, José Botelho, Arthur Moreira Lima, Noel Devos, Paulo Bosísio, Maria Lucia Godoy, entre outros. Os sete CDs gravados pelo conjunto resgatam obras de compositores setecentistas, como João de Deus de Castro, Lobo de Mesquita, Manoel Dias de Oliveira e Francisco Gomes da Rocha.

ORQUESTRA DE CÂMARA DO PRÓ-MÚSICA

Hoje, às 11h

Igreja do Rosário

(Rua Santos Dumont 215 – Granbery)

Estudo aprofundado da música

Também como parte da programação do festival, o IX Encontro de Musicologia Histórica, que começou na sexta e termina hoje, vem reunindo pesquisadores portugueses e brasileiros, no Instituto Metodista Granbery. A reunião de especialistas já era parte do evento e acontecia a cada dois anos, mas ficou em um intermezzo, já que não foi realizado no ano passado, quando havia previsão. Agora o Pró-Música está com seu viés acadêmico mais fortalecido desde a parceria com a UFJF, e a ideia é de que o encontro passe a ser anual, já que a universidade dispõe de toda a infraestrutura acadêmica, física e de mão de obra para que isso aconteça, observa o professor de história da música e musicologia da UFJF, Rodolfo Valverde, um dos organizadores do evento.

A discussão será constituída por apresentações de trabalhos, palestras e debates sobre o tema Intertextualidades: Fronteiras entre o sacro e o profano na música do Brasil Colonial e Imperial. Com isso, o participante tem a chance de investir no aperfeiçoamento técnico, nas oficinas e em outras atividades do festival e complementar esta formação por meio do viés acadêmico, o que é essencial para um músico e o que o difere de alguém que simplesmente sabe tocar um instrumento.

O professor adianta, ainda, que o produto das discussões do encontro dará origem a um livro a ser lançado em outubro. A programação completa dos cursos e concertos do festival pode ser conferida no site www.promusica.org.br