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Cortinas abertas


Por RENATA DELAGE

11/01/2013 às 07h00- Atualizada 27/10/2016 às 11h47

O cortejo de artistas que sairá hoje do Parque Halfeld, às 18h, anuncia a abertura da 12ª Campanha de Popularização Teatro de Juiz de Fora. Atores, diretores, produtores, acompanhados da irreverência da Palhaceata organizada por Marcos Marinho, descerão o Calçadão da Rua Halfeld para contar aos juiz-foranos que, até o dia 3 de fevereiro, 30 espetáculos teatrais – dos quais 25 são voltados ao público adulto e cinco ao infantil – poderão ser assistidos a preços populares.

Abrindo a temporada de montagens, “Mineiros on the beach”, do TQ, único espetáculo a participar de todas as edições da mostra – organizada pela Associação de Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora -, reencontra o público, às 18h30 de sábado, no Teatro Pró-Música. Para o ator e diretor Gueminho Bernardes, é simples o motivo pelo qual o espetáculo – e diversas outras comédias do grupo – reaparecem a cada ano na programação. “Porque é o que as pessoas querem ver”, constata. “As esquetes que formam a peça eram apresentadas em bares. A versão para o palco foi criada justamente para a campanha”, conta.

Das 30 produções, 11 fizeram sua estreia nos palcos da cidade no último ano. Embora contrária à proposta inicial, de tornar acessível ao público espetáculos recentes, as reapresentações atendem à demanda do espectador local, segundo o presidente da Apac, Cristiano Fernandes. “A organização sempre procurou levar novidades para o evento. Há um bom senso na hora da escolha dos grupos e dos espetáculos que participarão. Mas quase sempre é possível conciliar a participação de todos os interessados”, explica.

Para o diretor do GTMG/Cia Tralha, Alexandre Gutierrez, de volta à campanha após dois anos, novas produções são sempre bem-vindas, mas é preciso levar em conta a renovação do público e o hábito de reencontrar peças já em cartaz por anos na cidade. Das seis montagens participantes dirigidas por Gutierrez, cinco são inéditas na campanha. “Iniciativas como essa são muito válidas para os artistas da cidade, mas também é preciso lembrar que outros eventos ao longo do ano são essenciais para a sobrevivência dos grupos e para a formação de público”, pontua.

Além da campanha de popularização, a Apac realizou no último ano a 1ª Mostra de Teatro Infantil, em julho, e 1ª Mostra Local de Teatro de Juiz de Fora, que abriu as apresentações do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, além de seminários. Neste ano, o seminário “Empreendedorismo e incentivos fiscais: valorização da arte local” pretende abrir espaço ao diálogo entre artistas e empresas que podem, a partir de leis de incentivo, ajudar a fortalecer a cultura local das artes cênicas.

A ausência de espetáculos de dança na campanha deste ano se deve, sobretudo, ao período no qual a mostra é realizada, de acordo com Cristiano Fernandes. “A maioria dos grupos de dança na cidade está vinculada a escola, e os alunos estão em período de férias”, avalia o presidente da Apac.

 

Para chegar aos aplausos

Pela primeira vez na mostra, o T.O.C., grupo dirigido nesta montagem por Gustavo Burla, apresenta o espetáculo “A vida como ela foi”, que propõe uma colagem de textos de Nelson Rodrigues. A estreia aconteceu em 2012. Para o diretor, a participação recorrente de alguns grupos e diretores na campanha pode ser vista de duas maneiras. “Se por um lado, é uma oportunidade muito legal de o grupo ter o contato com público da cidade, por outro, a centralização de atores em torno de poucos projetos geram uma limitação estética”, explica Burla. Para ele, outro complicador à produção teatral na cidade é a carência de alguns pontos da política cultural, como a falta de espaços para ensaios, já que a maioria dos grupos não tem sede própria.

O alto valor exigido na montagem de certos espetáculos – somado à carência de espaços e estrutura – não consegue ser pago por alguns grupos quando estes contam apenas com a bilheteria popular, conforme justifica Cristiano Fernandes. “Por isso é interessante usar de todas as maneiras possíveis os eventos para ajudar o cenário teatral local”, diz.

Gueminho engrossa o coro ao reafirmar a importância de mostras populares, já que acredita que as artes cênicas tenham sofrido nos últimos anos com a falta de espaço e incentivo na cidade. “O município precisa abraçar os projetos e investir em parcerias à altura. Acumulando essas dificuldades, fazer teatro é uma tarefa quase heroica.”