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Carnaval à vista


Por KELLY SCORALICK

05/01/2013 às 08h00

Faltando pouco mais de um mês para o início do carnaval, as escolas de samba esquentam os tamborins e movimentam as quadras com os ensaios das baterias. A grande maioria das agremiações, entre as 15 participantes do desfile competitivo, dá início nestes dias aos encontros nas quadras para intensificar os preparativos para a folia e disseminar, entre a comunidade e o público que frequenta os ensaios, os sambas que vão invadir a passarela durante a Festa de Momo (ver quadro). De acordo com informações da Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), as agremiações do Grupo A e uma do Grupo C desfilam no domingo, 10 de fevereiro. Na segunda-feira, 11, entram as escolas do Grupo B e uma do C. O desfile das campeãs está marcado para terça, 12 de fevereiro, com as três primeiras colocadas do Grupo A e a campeã do B.

Além dos ensaios de bateria, a hora é de acelerar o passo para dar conta de preparar as escolas. Integrante do Grupo A, a Unidos do Ladeira, campeã do último carnaval, já está em fase final de confecção das fantasias e de acabamento dos carros alegóricos. Com o enredo Só ando em boa companhia com meu violão, minha canção e minha poesia – Centenário de Vinícius de Moraes, a agremiação vai trazer as canções, os amores e os bares frequentados pelo poeta e compositor. O Ladeira veio para ganhar e repetir o título de 2012, afirma o presidente da escola, Marcus Valério.

A Real Grandeza, vice-campeã do carnaval, também homenageia uma personalidade, com o enredo Paulinho da Viola…Foi um rio que passou em minha vida…, retratando a vida do sambista, falando de suas paixões, dos prêmios conquistados durante sua carreira, além de dar asas na avenida às suas paixões: o time de futebol Vasco e a escola de samba Portela. Segundo a tesoureira da agremiação, Cristina Baldioti, os preparativos estão bem adiantados, e a expectativa da equipe é grande. O Real vem de muita história de vice-campeonato, e vamos lutar pelo título. Não viemos para brincar, conta Cristina.

A terceira colocada na competição passada, a Partido Alto vai abordar um tema em voga em 2012, com o enredo Não acabou…e agora?, retratando a discussão sobre o fim do mundo e apresentando questionamentos sobre como ficarão os homens após essa previsão. As alegorias estão adiantadas, e a confecção das fantasias está caminhando. E vamos investir nos ensaios para que todos saibam o samba, enfatiza a presidente Regina Rabelo.

A fé e o medo ganharão forma na avenida através das alas da Mocidade Alegre Independente de São Mateus, com o enredo Por que sois tão medrosos, ainda não tens fé?. O vice-presidente Marcus Tadeu Batista adiantou alguns dos principais itens que serão retratados no desfile, como o medo de aranha, de barata, da morte, de filme de terror. No quesito fé, a representação por meio de amuletos, crucifixos, pé de coelho e o trevo de quatro folhas.

A escola de samba Turunas do Riachuelo, que retorna ao Grupo A, tem como enredo Com um trago na mão e o samba no pé, Turunas canta a cachaça, apresentando a história da bebida no Brasil, inclusive seu envolvimento com ideais libertários, como a Revolta da Cachaça, episódio motivado pelo aumento de impostos cobrados aos fabricantes de aguardente. Os preparativos estão a todo vapor.

Homenagem ao samba

Também vinda do Grupo B, a Unidos das Vilas do Retiro entoa Beth Carvalho, trazendo a sua história e contando toda sua vida artística pelo mundo do samba, além de sua atuação no resgate de vários artistas que hoje fazem sucesso como Zeca Pagodinho. Vamos contar com a madrinha do mundo do samba para trazer um desfile com garra, como a comunidade sempre faz, relata o presidente Marcos Vinícius Silva de Oliveira. Na Mocidade Independente do Progresso, a história da África vai ganhar espaço na avenida com Africas Brasillis – A Mocidade canta a cor e a raça, abordando ainda a vinda dos africanos para o Brasil e todas as influências herdadas, inclusive no samba. Estamos ensaiando desde outubro e vamos intensificar em janeiro, inclusive com alguns eventos aos domingos para provocar e chamar a comunidade, e também convidando outras agremiações, diz a presidente da escola Leila Carla Petrato.

A Acadêmicos do Manoel Honório canta as Maravilhas brasileiras, retratando a fauna, a flora, as lendas, o futebol, o samba e o carnaval. A proposta é de ser tudo bem alegre, conta o presidente Marcos Ribeiro. A União das Cores também canta as belezas brasileiras, especificamente as nordestinas, com o enredo Em ritmo de carnaval, a União das Cores se encanta e canta o Nordeste do Brasil. A carnavalesca Cláudia Davvini explica que o tema mostra a chegada do turista ao Nordeste, que faz uma viagem pelos estados nas asas da arara, símbolo da escola. O passeio começa na Bahia e termina no Maranhão, passando pelas nove unidades territoriais nordestinas. Apesar da escola estar 99% pronta para desfilar, um impasse na diretoria deixa a agremiação em risco de não entrar na avenida. Hoje (ontem) a comunidade vai se reunir para discutir a manutenção do desfile da União das Cores, afirma a carnavalesca.

Na Juventude Imperial, os preparativos estão atrasados, segundo o presidente David Chaves. Agora vamos intensificar o trabalho. Em 20 dias, precisamos fazer valer 40 para contarmos essa história tão linda. O enredo Chico Rei, um monarca em terras mineiras traz a história daquele que foi o rei de uma tribo no reino do Congo, mas foi trazido como escravo para o Brasil. Com muito suor, conseguiu comprar sua alforria e de outros conterrâneos, tornando-se rei em Ouro Preto. A Feliz Lembrança aborda o enredo Vila Isabel: A Vila de todos os tempos, mostrando, ao longo do desfile, a admiração pela escola carioca Vila Isabel, que é madrinha da agremiação juiz-forana. As fantasias já estão prontas, e os carros começaram a ser feitos no fim de 2012.

Quem não pode com a mandinga, não carrega patuá é o enredo que a Rivais da Primavera traz para a passarela do samba. O objetivo é principalmente chamar nossa comunidade para o desfile, diz o presidente Wilson Vicente de Souza. O carnaval ganha destaque com o enredo da Vale do Paraibuna:Pimpinella – Um rei de muitas faces e várias cores. O desfile trará a vida de Pimpinella, que foi Rei Momo por 30 anos seguidos. A história dele é acompanhada do ritmo dos antigos carnavais, explica o presidente Valtencir Feliciano Ribeiro. Os preparativos para o desfile, com fantasias e ensaio da bateria, estão sendo intensificados neste mês.

As duas escolas do Grupo C se preparam também para um desfile competitivo neste carnaval. De acordo com o presidente da Águia de Ouro, Waldelício Cordeiro, o ritmo dos preparativos segue devagar. Não vamos com escola muito grande, até porque a verba é pouca. Mas temos certeza que o público vai gostar. No enredo, Mineirice o trem da alegria, uma reedição do tema de 1984, que fala da diversidade do povo mineiro. A escola Borboleta, que volta ao carnaval depois de 12 anos, apresenta A esperança é a última que morre, mas que felicidade, ela ainda não morreu…, enredo também reeditado, utilizado pela escola em 1989. As alas trazem as brincadeiras, a fantasia, o mundo da imaginação, incluindo o imaginário dos integrantes da Borboleta que sonham com a escola campeã, segundo o presidente Sálcio Del Duca. Estamos captando recursos e trabalhando para levantar a escola.