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A arte da transformação


Por EDUARDO VANINI

04/09/2011 às 07h00

Questionamentos acerca do verdadeiro significado da palavra arte são uma constante nos pensamentos da artista plástica e produtora cultural Paula Velloso. Mesmo assim, de uma coisa ela tem certeza: trata-se de algo que pode estar em tudo e transformar as coisas. Para mim é, principalmente, pensamento, olhar, comunicação e transformação. O real interesse de Velloso pela área veio à tona durante a prova de habilidade específica para o curso de arquitetura. A partir dali, seus olhos se voltaram para esse universo com intensidade irreversível. Tanto que, pouco depois, ela trocava o curso de arquitetura pela faculdade de artes. Isso tudo enquanto trabalhava com moda, que, em muitos casos, pode ser considerada arte.

A dedicação à área garantiu a Velloso um cargo no CCBM, onde participa de montagens e organização das atividades culturais. Além disso, ela é uma das organizadoras do Mulheres no Volante (MnV), festival de cultura feminista independente realizado na cidade, trabalha com produção e direção de arte para cinema e atua como arte-educadora. Em meio a tantas tarefas, quando reflete sobre a possibilidade de uma troca de ramo de atuação, a resposta é radical: talvez piloto de avião ou helicóptero. Seria outra forma de estar ao volante.

Artista plástico

Marcel Duchamp

Marcel Duchamp, por suas questões artísticas, seu raciocínio, inteligência, sarcasmo e por todas as transformações que desencadeou no mundo artístico

Quadro

Marcella, de Ernest Ludwig Kirchner

Até hoje me impressiona a força desse quadro. O uso inteligentíssimo das cores, a crueza, o traço seco e a dureza e a dramaticidade que o artista conseguiu expressar

Movimento artístico

Fauvismo

Movimento artístico do qual faz parte Kirchner e seu quadro ‘Marcella’. Pelo espírito de síntese, desafio de simplificar e achatar os traços e formas, contraste e planificação das cores, além do uso de ângulos retos e por ser tão expressionista

Filme

O fabuloso destino de Amélie Poulan, de Jean-Pierre Jeunet

Nunca me canso de ver de novo. Adoro a direção de arte, o filtro verde e vermelho: cores contrárias no círculo cromático que geram uma atmosfera dramática. Esse filme levou a comédia romântica a um outro estágio e teve nova influência na linguagem cinematográfica e publicitária, além de uma brilhante atuação de Audrey Tattou

Diretor

Tim Burton

Admiro sua estética sombria, o humor negro e ácido, a mistura de delicadeza e excentricidade e a forma como aborda e desenvolve os personagens e a narrativa

Compositor

Bob Dylan

Além de suas composições antológicas, gosto de sua voz áspera

Instrumentista

Bruna Provazi, guitarrista

Além do talento da moça, pela coragem, iniciativa e perseverança

Disco

Sawdust, The Killers

Tenho escutado por três anos e ainda não enjoei

Lugar

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas

Um lugar que reúne muita arte e cultura. A arquitetura do espaço é uma atração à parte

Fotógrafo

Afonso Rodrigues

Um homem de idéias brilhantes, excelente fotógrafo e professor e uma pessoa que me abriu a mente para a fotografia, para o olhar fotográfico e para o cinema