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35 jovens cadastrados pela PM


Por Tribuna

23/07/2012 às 19h59

Ocupação da PM chega ao fim na divisa do Jardim Natal com o Jóquei

Ocupação da PM chega ao fim na divisa do Jardim Natal com o Jóquei

A rotina dos quase dez mil moradores dos bairros Jardim Natal e Jóquei Clube, na Zona Norte, voltou ao normal nesta segunda-feira (23) , após três dias de ocupação do território por parte da Polícia Militar. As crianças aproveitando as férias nas ruas íngremes e os vizinhos batendo papo na porta das casas pareciam encobrir os reais motivos da ocupação: as constantes brigas e mortes causadas pela rivalidade entre gangues. O desejo dos moradores agora é que a tranquilidade vista nos três dias seja constante pelos becos e travessas dos bairros. "Nesses dias em que a polícia esteve aqui, eu poderia ter deixado o portão assim ó (mostrando a grade entreaberta)", disse a dona de casa Ana Maria Pereira Martins, 65 anos, que mora logo abaixo do terreno da caixa d’água da Cesama, na Rua Geraldo Vilella, onde a 3ª Companhia de Missões Especiais (CME) hasteou uma bandeira na sexta-feira, simbolizando sua presença. "Isso mostrou que precisamos de um posto policial aqui no alto do morro, para tranquilizar as pessoas."

Recentemente, o aposentado Sebastião Erotides Macedo, 67, precisou trocar as telhas de sua casa, na Rua Visconde de Uberaba, quebradas pelas pedras lançadas durante confrontos entre gangues. "Se não colocarem mais policiamento no morro, essas brigas não vão parar", alerta. "Estava precisando disso, para dar uma sossegada na molecada", avaliou Maria Aparecida Afonso Ribeiro, 52, proprietária de um bar próximo.

No dia seguinte à retirada dos 150 militares, a base comunitária móvel que seria utilizada no policiamento dos bairros na segunda ainda não havia sido empenhada pelo 27º Batalhão. Mas a PM garante que vai continuar dando atenção à área. "Além da base comunitária, serão empenhadas patrulhas preventivas, como a de prevenção aos homicídios e à violência doméstica, mobilizando toda a equipe de polícia comunitária do batalhão", disse o comandante da 3ª CME, major Paulo Henrique da Silva.

Na segunda ele divulgou o balanço da operação: foram abordadas 445 pessoas, sendo 103 com passagens pela polícia; cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na apreensão de rádios comunicadores; quase 600 veículos foram vistoriados, sendo 40 retidos por algum tipo de irregularidade. A corporação acredita ainda que parte das 12 motos apreendidas poderia ter sido usada por jovens durante confrontos de gangues. Sobre esses rapazes, a PM informou que catalogou 35 menores de idade suspeitos de integrar gangues. Não foram encontradas armas, nem drogas.

Além das ações repressivas, foram desenvolvidos outros dois blocos de atuação: o diagnóstico da infraestrutura dos bairros, que mapeou problemas como falta de iluminação e imóveis abandonados, e a realização de atividades sociais. A proximidade fez com que a PM descobrisse quatro pontos de tráfico de drogas que ainda não eram conhecidos pela corporação. A PM deve repetir a estratégia em conjuntos de bairros das zonas Leste e Norte.

Avaliação

A presidente do Conselho de Segurança da Zona Norte, Irene Aparecida Vitório, avaliou de forma positiva a ocupação, mas defende que ações de proximidade entre PM e população sejam constantes, principalmente com a expansão do programa "Ambiente de paz", que, na Zona Norte, está presente em Benfica e Santa Cruz. No próximo dia 31, uma reunião do conselho deve discutir os efeitos da ocupação da PM no Jardim Natal e Jóquei Clube.