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Polícias Militar e Civil agem para conter homicídios


Por Marcos Araújo e Guilherme Arêas

16/04/2013 às 06h00

Superintendente de Investigação, Jeferson Botelho Pereira (à esquerda), esteve na cidade ontem

Superintendente de Investigação, Jeferson Botelho Pereira (à esquerda), esteve na cidade ontem

As polícias Militar e Civil anunciaram nesta segunda-feira (15) medidas para conter o avanço de crimes contra a vida em Juiz de Fora. A criação de uma Delegacia Especializada em Combate a Homicídios, ainda neste semestre, pela Polícia Civil; e do Grupo de Intervenção e Combate a Homicídios, por parte da PM, são as estratégias que as duas instituições vão adotar, com objetivo de colocar obstáculos à escalada da violência no município, que já registrou, desde janeiro, 54 mortes violentas, segundo levantamento feito pela Tribuna. O número, até agora, representa mais da metade dos casos ocorridos em 2012, que acumulou 99 assassinatos. A abertura da especializada foi divulgada, na tarde desta segunda, durante a visita do superintendente de Investigação e Polícia Judiciária da Polícia Civil de Minas Gerais, Jeferson Botelho Pereira, à sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Bairro Nova Era, na Zona Norte. Em entrevista à imprensa, ele afirmou que um estudo estratégico apontou a necessidade de criação da unidade. "Juiz de Fora faz parte das cidades do estado que apresentam Índice de Crimes Violentos (ICV) acima de 75%. Assim, a chefia da Polícia Civil entendeu, por bem, criar aqui uma especializada de combate a homicídio, porque hoje a vida é um bem jurídico por excelência que deve ser preservado", observou o superintendente.

Com a vinda dele ao município, foram entregues 43 coletes balísticos ao 4º Departamento e destruídas 1.174 armas de fogo que eram utilizadas por policiais civis e foram consideradas obsoletas. "Estamos em processo de aquisição de novas armas para a Polícia Civil mineira", destacou, acrescentando que as delegacias da região da Zona da Mata receberão mais profissionais. "Uma nova turma de escrivães está prestes a se formar no próximo mês e, com certeza, serão designados mais servidores para a região", adiantou Jeferson, que anunciou investimento da ordem de R$ 3,6 milhões a ser empregados na compra de armamentos e entrega de 142 viaturas para a Polícia Civil de todo o estado.

A formatação da nova delegacia ficará a cargo do chefe do 4º Departamento, Rogério de Melo Franco Assis de Araújo. Segundo ele, sua criação surgiu de uma carência verificada pela polícia, no fim do ano passado. "Foi montada uma comissão que constatou ser necessário nosso aprimoramento. Verificamos a necessidade de lotação de mais delegados e da abertura da especializada", enfatizou o delegado, acrescentando que o espaço físico para abrigar a especializada existe tanto na 1ª Delegacia Regional, em Santa Terezinha, quanto na sede do 4º Departamento, em Nova Era. "Isso ainda será definido em curto prazo junto com o delegado regional, Paulo Sérgio Virtuoso, para que a unidade possa começar a funcionar", garantiu Rogério de Melo, que afirmou que a especializada poderá ser composta por dois delegados e dois escrivães. Ele também lembrou que, no início de 2013, o Departamento recebeu 21 novos delegados, sendo seis deles lotados em Juiz de Fora.

 

 

PM cria Grupo de Intervenção e Combate a Homicídios

Ainda nesta segunda, o 2º Batalhão da Polícia Militar (BPM) anunciou a criação do Grupo de Intervenção e Combate a Homicídios, para tentar conter o avanço das mortes violentas no município. Durante o treinamento, que ocorre ao longo de toda essa semana, serão capacitados 30 policiais militares da cidade, além de Muriaé, Ubá e Leopoldina. Na semana que vem, serão treinados mais 30 militares que atuam exclusivamente em Juiz de Fora. A aula inaugural foi dada nesta segunda pelo titular do Tribunal do Júri, José Armando Pinheiro da Silveira, que ministrou a palestra "Homicídio na cidade de Juiz de Fora, uma análise crítica".

"A ideia é que os militares desse grupo fiquem por conta de determinadas áreas onde essa incidência criminal seja relevante e atuem de forma a se aproximar do cidadão, levantando informações relevantes. O trabalho será feito, por exemplo, com entrevistas a vítimas e autores de delitos menores, como atritos, ameaças e homicídios tentados, para não deixar que esses crimes se acentuem e se transformem em homicídios consumados", explica o assessor do 2º Batalhão da PM, tenente Marcelo Alves.

Inicialmente, os integrantes do grupo devem continuar atuando em suas equipes atuais de policiamento, mas o batalhão não descarta criar uma equipe especializada em crimes de homicídio, como já ocorre com as Patrulhas de Prevenção ao Homicídio (PPH). "O Grupo de Intervenção e Combate a Homicídios não exclui a PPH. Ele só vem a aumentar o portfólio de serviços da Polícia Militar", explica o tenente.

A qualificação dos policiais que vão integrar o novo grupo tem carga horária de 24 horas/aulas, incluindo disciplinas como direitos humanos, polícia comunitária, técnica policial e psicologia. Até amanhã, os discentes terão aulas teóricas. Na quinta e na sexta-feira, eles farão um estágio operacional em áreas críticas da cidade ainda a serem escolhidas pelo comandante do 2º Batalhão, tenente-coronel Mário César da Silva.