JF dependente da Represa João Penido

Volume do manancial está em 37%. Na mesma data, em 2014, o nível chegava a 67% (ROBERTO FULGÊNCIO/12-06-15)
A vazão de água retirada da Represa João Penido ainda está muito acima do que foi planejado pela Cesama no início deste ano. Na época, a direção da companhia divulgou que a ideia era reduzir o volume de água captada de 800 litros por segundo para 250 litros por segundo, por causa da crise hídrica. No entanto, ela ainda continua sendo a principal fonte do recurso para a população, contribuindo com 600 litros por segundo. Isso acontece por causa das falhas técnicas na ampliação da Estação de Tratamento Walfrido Machado Mendonça (ETA-CDI), que impedem a maior utilização das águas de Chapéu D’Uvas. Para se ter ideia do atual cenário, que é grave, em 12 de junho do ano passado, quando já havia escassez de chuvas, ela estava com 67% preenchida. Já neste ano, também dia 12 de junho, o acumulado era de somente 37%.
As últimas projeções da Cesama mostram que João Penido deverá chegar, em 31 de outubro, quando termina a estiagem, com 14% de água acumulada. Este seria o menor índice já operado no manancial que, em setembro de 2014, atingiu a mais baixa média histórica, com 18%, em setembro. O fato de chegar a patamar tão baixo traz incertezas com relação à qualidade da água que chegaria para o tratamento. Por isso, a direção da companhia prevê que o processo de purificação se torne mais difícil, pois seriam necessários maiores concentrações de aditivos e produtos químicos para tornar a água clarificada, além de cuidados redobrados no processo de decantação.
Este ano, o maior volume alcançado no manancial foi de 43%, em maio. Só que o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, teme que este patamar não represente a mesma quantidade de água observada ano passado, quando ela também esteve com os mesmos 43%. “Quando ela abaixou o nível, a vegetação cresceu bastante. E ela acaba ocupando o volume que deveria ser de água.”
Enquanto isso, Chapéu D’Uvas, que tem lago da represa 11 vezes maior que João Penido, e que teria capacidade técnica para fornecer até 900 litros de água por segundo na rede, ainda contribui somente com 250, já que a ETA-CDI, que também trata o recurso do Ribeirão Espírito Santo (500 litros por segundo), ainda não comporta um volume maior. Já a Represa de São Pedro, que fornece água para parte da Cidade Alta, oferece 100 litros de água por segundo. Porém, por ser menor que as outras, e mais sensível às variações climáticas, já mostra reflexos da ausência de chuvas. Em menos de dois meses, o nível de recurso acumulado caiu de 90% (27 de abril) para 65% (12 de junho).
Novas medidas
Conforme Marcelo, novas projeções sobre os níveis dos mananciais para os próximos meses deverão ser feitas a partir do dia 20. Caso seja confirmado um cenário ainda pior, que comprometa o abastecimento durante a estiagem, novas medidas de racionamento podem ser aplicadas. Ele não quis adiantar quais seriam, mas informou que será discutido, internamente, se as ações deverão ser imediatas ou programadas para os próximos meses.
Sem prazo para solução de problema
O problema da Estação de Tratamento Walfrido Machado de Mendonça (ETA-CDI) não tem prazo para ser resolvido. A empresa que foi contratada para executar o serviço de ampliação da estrutura, que permitiria atender, também, a água de Chapéu D’Uvas, foi notificada judicialmente para dar um parecer sobre o problema, o que ainda não aconteceu. Enquanto isso, a Cesama realiza monitoramentos topográficos para analisar se existe algum novo deslocamento do solo. “Não está tendo movimentação, mas ela não está carregada por água. Também contratamos um engenheiro consultor, de São Paulo, para orientar a Cesama, mas ele precisa aguardar a manifestação da empresa antes de apresentar algum laudo”, informou o diretor de Desenvolvimento e Expansão da companhia, Marcelo Mello do Amaral.
Inaugurada em 1970 para tratar somente as águas do Ribeirão Espírito Santo, a ETA-CDI passou por ampliação, em 2010, para atender, também, Chapéu D’Uvas. Após esta obra, no início do ano passado, percebeu-se movimentação do solo quando aos primeiros testes de carga foram feitos. A empresa responsável pela execução, vencedora de licitação pública, providenciou a recuperação da ETA, entre julho de 2014 e fevereiro deste ano. Em 1º de abril, quando foram feitos novos testes de carga com a água do novo manancial, as trincas voltaram a surgir. Atualmente a área atingida está isolada, e a antiga foi adaptada para tratar, ao mesmo tempo, os recursos do Ribeirão Espírito Santo e de Chapéu D’Uvas. Estas falhas já oneraram os cofres da empresa pública em R$ 500 mil, valor que, agora, é cobrado judicialmente da empresa responsável pelo projeto.
Otimização do tratamento
Segundo Marcelo, estão sendo feitos testes laboratoriais para otimizar ainda mais o processo, de forma que um maior volume de água seja tratado em menos tempo. “Isso porque conseguimos, desde o início do mês, aumentar a vazão de Chapéu D’Uvas, após a ligação de energia elétrica definitiva nas bombas que transportam água para a estação. Antes, o trabalho era feito por meio de geradores. Com relação ao tratamento, a empresa que fornece os produtos químicos para a Cesama está nos auxiliando neste processo, buscando uma melhor fórmula. Assim que terminarmos os testes, iremos colocá-la em prática, com intuito sempre de economizar João Penido”, explicou.