Escola debate violência
Jovens da Cidade Alta, estudantes e ex-alunos da Escola Municipal Doutor Adhemar Rezende de Andrade, no São Pedro, participam, desde o início do ano, do projeto "Sou da paz", organizado pelo Núcleo de Cidadania da instituição. Com auxílio de professores voluntários e parceiros, os adolescentes são convidados a discutir as consequências do aumento da violência em Juiz de Fora, tendo como base as informações publicadas pela Tribuna, principalmente nas séries de reportagens "Até quando" e "Basta de violência". De acordo com a professora responsável pela organização do núcleo, Eliane Ferreira, o objetivo é que, a partir das discussões sobre o tema, os jovens se tornem multiplicadores da paz dentro das escolas e em suas comunidades.
Os encontros, que são temáticos, ocorrem na sede da Associação de Moradores do Bairro São Pedro, que fica em frente à unidade de ensino, às segundas-feiras. Apesar de não fazer parte do calendário oficial e, por isso, não contar pontos de participação, cerca de 40 meninos e meninas, entre 11 e 18 anos, compõem o grupo, que se reúne fora do horário das aulas.
Além de discutir a violência, buscando caminhos e soluções, os adolescentes abordam outros assuntos que são manchetes dos jornais de todo o país. Neste caso, as reportagens publicadas pela Tribuna também servem como gancho, seja por meio das enquetes ou dos editoriais publicados.
O presidente do núcleo, o estudante Moisés Moura, 14 anos, se diz motivado por estar contribuindo com a formação da cidadania dos colegas.
Segundo ele, mais que discutir estes assuntos, o trabalho é importante porque cria oportunidades para divulgar direitos e deveres deste público. "Infelizmente a violência em nossa cidade está cada vez mais assustadora. Somos a favor da paz e precisamos encontrar meios de divulgá-la." Conforme Eliane, o início das atividades foi motivado por uma das reportagens da série "Até quando", publicada em dezembro, que mostrava lacunas na assistência social em diversas regiões do município, entre elas, a Cidade Alta.
Na opinião da doutora em psicologia social e professora da Faculdade de Serviço Social da UFJF, Maria Aparecida Cassab, iniciativas como a da escola, que utiliza informações jornalísticas como instrumento didático, são importantes porque contribuem para a formação do jovem. "O acesso à notícia é um bem social. Se for usado com a perspectiva de crítica ao que o jornal veicula, ou se for além do que está escrito, colabora ainda mais para a formação da consciência deste cidadão."
Comunicação
Além de discutir violência, o grupo realiza outros trabalhos voluntários. Um deles é a direção de uma rádio, que opera dentro da instituição de ensino nos intervalos das aulas. Assuntos como desrespeito aos professores, brigas e desperdício de material são abordados pelos jovens. A especialista também defende esta atividade, pois, segundo ela, para a formação da conscientização política, é necessário que o adolescente se reúna com o outro e debata estes assuntos. "É importante porque [eles] convivem com a diferença e o pensamento alheio com objetivo de construir a cidadania."