[wp_slide_menu]

Empreendedora Social transforma solidariedade em autonomia com o Instituto Entre Irmãos

Zilma Rodrigues aposta na capacitação e geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade e inspira um novo modelo de transformação em Juiz de Fora


Por É a Vez Delas

13/05/2025 às 17h43- Atualizada 15/05/2025 às 14h18

WhatsApp Image 2025 05 13 at 16.46.25
Zilma Rodrigues reinventa os projetos sociais em Juiz de Fora com foco na capacitação e geração de renda

Zilma Rodrigues nunca parou de querer ajudar o próximo. Nem mesmo quando a pandemia desacelerou o mundo, suspendeu atividades e paralisou instituições. Com um coração inquieto e uma missão clara, ela seguiu adiante — e hoje está à frente do Instituto Entre Irmãos, um projeto que capacita e gera renda para famílias em situação de vulnerabilidade em Juiz de Fora.

Com mais de 20 anos de atuação social — passando por trabalhos com pessoas em situação de rua, comunidades carentes, hospitais e ações emergenciais — Zilma sempre carregou o desejo de fazer a diferença. Mas foi no auge da crise sanitária do covid que esse propósito tomou uma nova forma. “As doações começaram a chegar, em grande quantidade, e eu fui direcionando para onde era preciso. A coisa cresceu tanto que não cabia mais dentro da minha casa”, relembra.

FACHADA SEDE DP 1 768x576 1
Instituto Entre irmãos atende cerca de 25 bairros e é credenciado por programas como SESC Mesa Brasil

Nascia, então, o projeto Entre Irmãos. A ideia inicial era chamá-lo de IDE, mas por não ter vínculos religiosos nem políticos, o nome mudou após Zilma encontrar uma frase marcante: “O trabalho de Jesus só se confirma nesta terra se estivermos entre irmãos.”

Do assistencialismo à autonomia

30e2b20b cd31 4d10 b9b1 8c3fede14bf4
Zilma junto aos fundadores do instituto, que desde o início compartilhavam a mesma visão sobre transformação e impacto social

Apesar de já ter ampla experiência na área social, Zilma decidiu que o Instituto não seria apenas mais um braço assistencialista. Segundo ela, entregar cestas básicas é um recurso emergencial — mas não é o caminho da transformação.

“Assistencialismo é ponte, não é caminho. O que dignifica o ser humano é o trabalho. É a educação, é a geração de renda. Foi aí que começamos a oferecer cursos.”

O primeiro passo foi montar uma turma de cuidadores de idosos. Depois vieram capacitações em estética, oportunidades para jovens e, atualmente, costura.

WhatsApp Image 2025 05 14 at 11.14.00
Alunas recebem com orgulho certificado do curso de corte e costura

Zilma percebeu que a costura, antes vista como subemprego, havia se transformado em trabalho valorizado e artesanal — com alta demanda e pouca mão de obra. Com duas máquinas doadas, nasceu o primeiro ateliê do Instituto.

“A gente começou com sobras de tecido. As mulheres aprenderam costura criativa, começaram a vender, passaram a ser remuneradas e a sonhar com seus próprios negócios.”

 

WhatsApp Image 2025 05 13 at 16.50.27
20250327 12170920250327 121709 1 Zilma Rodrigues ao lado do presidente do instituto, Roberto Cunha seu braço direito

 

Hoje, o Instituto conta com uma coordenadora de costura criativa, aulas semanais e um coletivo social que atende empresas como a Baldi e a Chico Rei. Duas ex-alunas já atuam como artesãs no Mercado Municipal. A autonomia das mulheres é o principal pilar da instituição. “Nosso foco é que as mulheres conquistem sua independência e sintam que pertencem. Aqui, elas reencontram o valor que o mundo tirou delas.”

Zilma explica que muitas das mulheres atendidas chegam emocionalmente fragilizadas, desacreditadas de si mesmas. Por isso, além da capacitação, o Instituto oferece um espaço de acolhimento e convivência. “Muitas estão aqui não só pelo trabalho, mas pela convivência. Pela escuta. Pelo afeto.”

Novos cursos e um brechó que sustenta sonhos

O Instituto se prepara agora para abrir uma nova capacitação voltada para o setor de limpeza profissional e organização — tanto em residências quanto em hotéis e pousadas. A formação, voltada principalmente para mulheres, é mais uma porta para o mercado formal de trabalho.

Para manter o Instituto Entre Irmãos em pleno funcionamento, o bazar solidário desempenha um papel essencial. Com roupas doadas, cuidadosamente lavadas e selecionadas, o bazar não apenas gera renda para sustentar as atividades do projeto, como também abastece outras iniciativas sociais parceiras. Hoje, graças a esse trabalho e à rede de solidariedade construída, o Instituto impacta direta e indiretamente moradores de mais de 25 bairros de Juiz de Fora.

A sustentabilidade da iniciativa é fortalecida por parcerias estratégicas com instituições que compartilham o compromisso com a transformação social. Credenciado junto ao Sesi, ao Senac e ao programa Mesa Brasil, o Instituto Entre Irmãos conta com esses aliados na promoção da cidadania e na capacitação profissional de mulheres em situação de vulnerabilidade. Por meio das doações recebidas, não apenas mantém suas ações ativas, mas também repassa recursos e insumos a outras instituições sociais da cidade, ampliando o alcance do impacto.

Somam-se a esse esforço o apoio de empresas que acreditam no valor da inclusão e do desenvolvimento humano, como Nexa, U&M, Baldi, Chico Rei, Rede Cidadã e empreendimentos associados ao BNI – Manchester, Máximo, Evo – além da Câmara da Mulher Empreendedora, Só Delas e da Plenarius. Essas parcerias garantem mais do que recursos: trazem legitimidade, credibilidade e novas oportunidades para expandir a missão do Instituto.

Nosso lema é dividir para multiplicar. Nada aqui fica parado. O que não usamos, repassamos para outras iniciativas comprometidas com a transformação social”, reforça Zilma Rodrigues, fundadora do Instituto.

Conheça mais em: @inst.entreirmaos