Alagamentos em Juiz de Fora: como ocupação urbana e mudanças climáticas aceleram os impactos das chuvas fortes
O geógrafo Mateus Cremonese explica como mudanças climáticas, impermeabilização do solo e ocupação de fundos de vale ampliam os riscos e o que precisa mudar em planejamento urbano e prevenção.
Alagamentos em Juiz de Fora voltaram a acender o alerta depois dos temporais recentes que transformaram ruas em rios, deixaram ônibus ilhados e ampliaram o medo de quem vive em áreas de risco. Em poucos minutos, a chuva intensa encheu galerias, transbordou canais e gerou cenas de caos em diferentes bairros da cidade.
Em entrevista ao Tribuna no Ar, o geógrafo Mateus Cremonese, conselheiro do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), explicou que esses episódios não são obra do acaso. A combinação entre chuvas mais concentradas, ligadas ao clima da estação e às mudanças climáticas, e um modelo de ocupação urbana marcado por impermeabilização do solo e uso de fundos de vale cria o cenário ideal para que os alagamentos em Juiz de Fora se tornem mais frequentes e intensos.
Alagamentos em Juiz de Fora: quando a chuva forte encontra uma cidade impermeável
Os temporais mais recentes mostram bem o problema. Em apenas 50 minutos, o pluviômetro do Cemaden no Bairro Linhares registrou cerca de 85,8 mm de chuva, o que equivale a boa parte do esperado para vários dias concentrado em menos de uma hora.
Como lembra Mateus Cremonese, quando “chove praticamente o que tinha que chover no mês em um único dia”, nenhum sistema de drenagem convencional dá conta sozinho.