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Tecnologia é tema forte para a redação


Por Kelly Diniz

02/11/2016 às 07h00

Sem treta

Professores de redação têm apostado em temas relacionados à tecnologia como foco da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Conforme o professor de português e redação do Colégio Equipe Wuilton Paiva, essa é uma área onde é possível desenvolver diversos temas. “É possível trabalhar com os desafios da educação na era da tecnologia, discutir o preconceito nas redes sociais, até que ponto vai a liberdade de expressão. Também é possível avaliar a tecnologia empregada com a geração de empregos ou com o desemprego e a questão das mobilizações cibernéticas.” Já o professor de português e redação do Santa Catarina Edson Munck acredita que a questão da tecnologia será abordada relacionada a alguma regulamentação. “Hoje temos a questão da regulamentação das mídias, tanto temas ligados ao uso da internet, com as possíveis restrições em pacotes de dados, como a migração da prática de assistir à televisão para às séries em streaming.”

Além da questão da tecnologia, Edson enfatiza que, baseado nos temas das redações dos últimos três anos, o foco deve estar ligado às legislações. “Nos últimos três anos, os temas foram Lei Seca, regulamentação da publicidade infantil e violência contra mulher, com foco na lei do feminicídio. Então, nos últimos três anos, os temas giraram em torno de questões legislativas como resposta da sociedade para assuntos que nos afetam.” Assim, outras apostas do professor são a regulamentação da mobilidade urbana, do saneamento básico, da preservação indígena e do esporte como desenvolvimento social. O professor Wuilton aposta ainda em temas relacionados à questão social mundial, como as crises humanitárias, os conflitos da atualidade, atentados terroristas, os grandes problemas mundiais da atualidade.

“Eu sempre falo com os alunos que não é preciso se preocupar em ter trabalhado a questão anteriormente. A preparação que damos em aula e as discussões podem se tornar argumentos para qualquer tema. É preciso conhecer a atualidade, os problemas da sociedade. O Enem não tem a postura de escolher um tema muito polêmico. São temas que vêm com uma linha previsível que os alunos têm que seguir. O Enem não trabalha com duas visões antagônicas que podem ser discutidas. Por exemplo, no ano passado, foi debatida a questão da violência contra a mulher. É uma questão em que há apenas uma linha. Não tem como o aluno ser a favor”, esclarece Wuilton. “Se percebermos, ao longo dos anos, os temas da redação sempre giram em torno da percepção social e cidadã sobre uma questão relevante a ser debatida. O MEC (Ministério da Educação) tem interesse em verificar se o aluno tem uma percepção cidadã da realidade”, completa Edson.

Canal no YouTube dá dicas para melhorar o texto

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Com o objetivo de levar conteúdo de qualidade, de forma gratuita, aos alunos, principalmente aqueles que estudam em colégios mais defasados e não possuem condições de pagar por um cursinho, os amigos e ex-alunos da UFJF Vinícius Werneck, 29 anos, João Carlos Guedes Jr., 22, e Waldyr Imbroisi, 25, criaram, no ano passado, o canal Sem Treta. “Nosso foco é a redação, já que corresponde, em média, a 23% da nota final. A ideia é que, mesmo sem poder investir tanto tempo, o aluno consiga aumentar a sua nota”, explica Vinícius. A fórmula é simples e eficaz: textos e vídeos curtos, mas com informações valiosas postados toda semana no canal.
Jornalista e professor, Vinícius conta que sempre participou de projetos sociais ensinando redação, juntamente com o também professor Waldyr, e sonhava em criar um projeto mais dinâmico, envolvendo tecnologia da educação. Com a parceria com o engenheiro elétrico João Carlos, o sonho se tornou realidade e, em apenas um ano, os vídeos possuem mais de 80 mil visualizações, com 234 mil minutos de vídeos assistidos. No Facebook, são 5.751 curtidas de pessoas de todo o Brasil.

No vídeo ’10 super temas para a redação do Enem 2016′, eles também fazem as suas apostas: consumismo e impacto ambiental; mobilidade urbana; dependência tecnológica; preconceito linguístico; promoção dos direitos da pessoa com deficiência; cultura indígena; doação de órgãos; lei antifumo no Brasil; maus-tratos contra animais; e trote nas universidades brasileiras. No ano passado, nas dez apostas de tema do canal, eles acertaram o abordado no exame, que foi a violência contra a mulher.

Com um alcance tão grande e retorno positivo dos estudantes, os amigos resolveram investir também em podcasts. “Eles são interessantes porque o aluno pode sair do cursinho, colocar o fone de ouvido e ir ouvindo as aulas no caminho para casa”, conta Vinícius. Os oito episódios disponibilizados até o momento já foram baixados mais de 3.500 vezes. Os podcasts podem ser acessados pelo iTunes ou pela internet.