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Robô com inteligência artificial realiza primeira cirurgia em paciente humano

Sistema da Universidade Johns Hopkins executou com precisão remoção de vesícula biliar em ambiente clínico real


Por Tribuna

11/07/2025 às 12h42

Um robô guiado por inteligência artificial realizou, pela primeira vez, uma cirurgia em um paciente humano. O procedimento, uma colecistectomia (remoção de vesícula biliar), foi conduzido por um sistema desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta semana na revista Science Robotics.

Chamado de SRT-H — sigla para “transformador de robô cirúrgico hierárquico”, em tradução livre —, o robô foi treinado com técnicas de aprendizado de máquina semelhantes às usadas em modelos como o ChatGPT. Para aprender a realizar a cirurgia, o sistema analisou vídeos de procedimentos conduzidos por cirurgiões da própria universidade em cadáveres de porcos. As gravações foram complementadas com legendas explicativas, detalhando as etapas da operação.

Durante a realização da cirurgia em um paciente real, o robô respondeu a comandos de voz da equipe médica, como se fosse um residente em formação orientado por mentores humanos. A operação foi concluída com 100% de precisão, segundo os pesquisadores. Embora o procedimento tenha demorado mais do que o tempo médio de execução por um cirurgião humano, os resultados alcançados foram considerados equivalentes aos de um especialista experiente.

O avanço foi destacado por Jeff Jopling, cirurgião da Universidade Johns Hopkins e coautor do estudo. Segundo ele, o projeto demonstra que sistemas robóticos podem evoluir de forma modular e progressiva, dominando gradualmente diferentes partes de procedimentos médicos complexos — da mesma forma que ocorre com médicos em formação.

Desenvolvimento da tecnologia

O trabalho com robôs cirúrgicos autônomos teve início em 2022, quando o robô STAR, também desenvolvido por Axel Krieger, realizou a primeira operação robótica autônoma em um animal vivo: uma cirurgia laparoscópica em um porco. No entanto, aquele procedimento foi realizado em ambiente altamente controlado e seguiu um plano cirúrgico rígido.

O novo sistema, SRT-H, representa um passo além. Segundo os desenvolvedores, ele é capaz de se adaptar em tempo real, tomar decisões e até se autocorrigir durante a cirurgia, respondendo a alterações no cenário clínico. A máquina também é interativa, recebendo comandos como “agarrar a cabeça da vesícula biliar” ou “mover o braço esquerdo um pouco para a esquerda”, com capacidade de aprendizagem a partir desse tipo de feedback.

Para alcançar esse nível de desempenho, o robô foi inicialmente treinado para realizar três tarefas cirúrgicas básicas: manipulação de agulha, elevação de tecidos e sutura. Embora essas ações durassem apenas alguns segundos, o desafio maior veio com a colecistectomia, que exige a execução de 17 etapas distintas, cada uma com duração de vários minutos.

Mesmo em situações inesperadas ou diante de variações anatômicas — como a presença de corantes que alteraram a aparência dos tecidos e da vesícula biliar —, o robô demonstrou bom desempenho e adaptabilidade.

Para Axel Krieger, especialista em robótica médica e um dos principais nomes do projeto, a experiência comprova que é possível realizar cirurgias complexas de forma autônoma. Atualmente, os robôs usados em hospitais exigem operação manual por parte de médicos e não atuam de forma independente. O avanço da inteligência artificial, contudo, pode inaugurar uma nova era na medicina robótica.

A equipe da Universidade Johns Hopkins já planeja treinar o sistema para atuar em outros tipos de cirurgias, com o objetivo de ampliar sua capacidade de atuação clínica. “Esta é uma prova de conceito de que é possível, e esta estrutura de aprendizagem por imitação pode automatizar procedimentos complexos com um alto grau de robustez”, concluiu Krieger.

*Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe