Você sabe o que é chemsex? Veja os perigos da prática que mistura drogas e sexo
Combinação de “chemical” (químico) e “sex” (sexo), o termo descreve relações sexuais sob efeito de substâncias psicoativas — e levanta um alerta para os riscos físicos, psicológicos e sociais

O uso de drogas durante o sexo não é uma novidade, mas a prática conhecida como chemsex tem chamado a atenção de médicos e autoridades de saúde em todo o mundo. Combinação de “chemical” (químico) e “sex” (sexo), o termo descreve relações sexuais sob efeito de substâncias psicoativas — e levanta um alerta para os riscos físicos, psicológicos e sociais.
Metanfetamina, GHB, ketamina, poppers, LSD, ecstasy, cannabis e até álcool fazem parte desse cenário. As substâncias potencializam o prazer, prolongam a relação e aumentam a desinibição. Mas o preço pode ser alto: quadros de ansiedade, depressão, psicose e maior vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
“Não é um comportamento novo, mas a combinação de novas drogas, tecnologia e doenças tornou o chemsex um fenômeno contemporâneo e desafiador para a saúde pública”, afirma Marina Del Rei, psicóloga e pesquisadora da USP.
Crescimento preocupante
Dados recentes mostram a expansão da prática. Uma meta-análise publicada em abril na revista Healthcare aponta que 12,6% da população global já experimentou chemsex. No Brasil, um estudo divulgado em março de 2024 na Public Health Nursing revelou que 19,4% dos homens homoafetivos relataram envolvimento com o sexo químico.
O Ministério da Saúde já reconhecia o risco desde 2007, em um plano nacional voltado a populações LGBT+, HSH e travestis. Na época, o documento alertava sobre o uso de drogas recreativas em contextos sexuais e a maior exposição a ISTs pela redução do uso de preservativos.
Entre o prazer e o risco
A busca por prazer prolongado e a curiosidade são algumas das motivações. Mas os efeitos colaterais podem ser severos:
Psicológicos: paranoia, insônia, crises de ansiedade e depressão.
Físicos: arritmia, AVC, danos hepáticos e maior risco de overdose, já que muitas das drogas são ilegais e de composição desconhecida.
Dependência: com o tempo, o cérebro pode associar prazer exclusivamente ao uso de substâncias, tornando atividades cotidianas incapazes de gerar satisfação.
“A linha entre uma dose recreativa e uma dose tóxica é muito tênue, principalmente com substâncias como o GHB”, alerta Saulo Vito Ciasca, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.
Redução de danos é essencial
Especialistas defendem estratégias de redução de danos como forma de minimizar os riscos, já que a abstinência total nem sempre é uma realidade. Isso inclui orientação sobre dosagens seguras, combinações perigosas (como álcool e ketamina), uso de preservativos e acesso a serviços como PrEP e testagens regulares.
“É fundamental falar sobre limites e buscar acompanhamento profissional para evitar uma relação problemática com as drogas”, reforça Marina Del Rei. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) são pontos de apoio importantes.