Cannabis medicinal no tratamento da doença de Parkinson: ciência aponta novos caminhos
Estudo brasileiro indica que a cannabis medicinal no tratamento da doença de Parkinson pode melhorar sintomas motores, sono e qualidade de vida dos pacientes.
A cannabis medicinal no tratamento da doença de Parkinson tem ganhado destaque no cenário científico como uma alternativa complementar promissora para o manejo de sintomas motores e não motores da doença. A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, comprometendo movimentos, equilíbrio, sono e qualidade de vida.
Pesquisas recentes indicam que o uso terapêutico de canabinoides, quando associado a práticas como exercícios físicos e conduzido com acompanhamento médico, pode contribuir para a melhora do bem-estar geral dos pacientes. Um estudo clínico inédito no Brasil, conduzido pela UNESC em parceria com instituições científicas e associações de pacientes, investiga exatamente esse potencial.
Para falar sobre os avanços dessa pesquisa, os desafios de acesso e o que a ciência já sabe até o momento, o Tribuna no Ar recebeu Diego Rodrigues, pesquisador e consultor de cannabis medicinal no Brasil e fundador da Medkaya.
O que é a doença de Parkinson e seus principais desafios
A Doença de Parkinson é caracterizada principalmente pela degeneração de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Entre os sintomas mais comuns estão:
Tremores (espasticidade)
Rigidez muscular
Lentidão de movimentos
Alterações no sono
Impactos emocionais, como ansiedade e depressão
Apesar dos avanços da medicina, os tratamentos convencionais ainda apresentam limitações, especialmente em fases mais avançadas da doença, o que impulsiona a busca por abordagens complementares.

Estudo brasileiro investiga a cannabis medicinal no tratamento da doença de Parkinson
O estudo conduzido pela UNESC avalia o uso da cannabis medicinal no tratamento da doença de Parkinson de forma associada à prática regular de exercícios físicos. A proposta é analisar não apenas os efeitos dos canabinoides isoladamente, mas sua atuação integrada em um plano terapêutico mais amplo.
Durante a entrevista, Diego Rodrigues explicou que os canabinoides interagem com o sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como movimento, inflamação, dor, humor e sono.
Um dos destaques do estudo é a utilização de óleos de espectro total (full spectrum), que preservam diferentes compostos da planta.