Projeto de despoluição do Paraibuna só deve estar concluído em 2033
Diretor-presidente da Cesama, Lincoln Santos Lima, explica que o projeto de despoluição do Rio Paraibuna esbarra em limitações técnicas significativas, além do alto investimento.

Em entrevista sobre as obras de despoluição do Paraibuna, o diretor-presidente da Cesama, Lincoln Santos Lima, afirma que o projeto esbarra em limitações técnicas significativas: crescimento desordenado da cidade, sistema de coleta antigo que mistura água de chuva com esgoto, necessidade de obras de impacto em vias como as avenidas Rio Branco, Itamar Franco e o centro histórico, além de alto investimento.
O projeto de despoluição está sendo tratado por essa administração como prioridade?
É importante deixar claro que o projeto de despoluição do Paraibuna começou lá atrás. Então, todas as administrações que passaram se preocuparam um pouco com a despoluição. Sou funcionário de carreira, ano que vem completo 39 anos de Cesama, tive a oportunidade de acompanhar essa evolução de perto. Com recursos próprios e financiamento, essa administração tem trabalhado muito para seguir em frente com o projeto. Talvez, com recursos próprios, seja a administração que mais está investindo na despoluição do Paraibuna. Estamos chegando ao final da instalação dos interceptores, nas margens do rio, e agora precisamos colocar esgoto nesses interceptores para mandar para as estações de tratamento.
As obras foram iniciadas em 2013, com previsão de conclusão em 2015. São 10 anos de atraso. O que aconteceu? Por que os prazos não foram cumpridos?
Tivemos uma paralisação nesse projeto, não sei se lembram, em 2006, 2007, quando os recursos federais para a realização dessas obras foram interrompidos e só retomados em 2013. Além disso, estamos falando de uma cidade de 175 anos que não foi projetada para isso. Como fazer a separação em todo o centro histórico de Juiz de Fora – onde praticamente é lançada a maior parte do esgoto não-tratado – fazendo obras e intervenções em vias como as avenidas Rio Branco e Itamar Franco, nas ruas do centro, na Halfeld? É uma coisa muito difícil. Em cidades projetadas como Belo Horizonte e Uberlândia, por exemplo, isso é muito mais fácil. Juiz de Fora cresceu desordenadamente, sem planejamento. Por isso, fazer a separação e a coleta do esgoto direcionando para as estações de tratamento é um trabalho árduo, difícil de ser feito e demanda muito mais investimento. Não teríamos tempo hábil para fazê-lo numa administração, por exemplo. Então, além do problema do recurso, temos o problema técnico e de tempo, numa cidade com 175 anos, no qual o sistema inicial era um sistema misto de água pluvial conjugado com o esgotamento sanitário. É por isso que vemos os córregos canalizados da cidade, principalmente o córrego Independência, que fica abaixo da Avenida Itamar Franco.

Quanto tempo mais será necessário para concluir? Algum prazo?
Vamos colocar o término como o prazo máximo estabelecido pelo Marco Legal de Saneamento, que é 2033, chegar com 90% do esgoto tratado. Mas temos a meta de chegar ao final dessa administração, em 2028, com 75% do esgoto tratado. É uma meta difícil, mas vamos fazer de tudo para alcançá-la.
Os córregos foram incluídos no projeto?
Quando Itamar Franco fez as obras do córrego Independência, à época, não se preocupava com o tratamento, com a separação do esgoto sanitário. Por isso, hoje, nós temos que tratar todo o esgoto do córrego Independência, mesmo sem a implantação dos coletores nas suas margens. Fazemos isso com um barramento na sua foz no rio Paraibuna. Tudo que corre no Independência hoje, exceto no período chuvoso, é esgoto praticamente puro. Então interceptamos isso na foz do córrego e enviamos para a estação de tratamento. Estamos finalizando agora os interceptores, ao longo do Paraibuna, para que eles sejam direcionados às estações elevatórias que, por sua vez, ou vão mandar para a ETE Barbosa Lage ou para a ETE União Indústria. Então, o projeto segue conforme o original de construção desses interceptores. No caso dos córregos de São Pedro e do Matirumbide, estamos implantando, em suas margens, os coletores tronco, que vão, por sua vez, se ligar aos interceptores instalados no Paraibuna.
Qual é hoje o diagnóstico real da carga de esgoto doméstico que chega ao Paraibuna? Por que os dados da Cesama divergem tanto dos apresentados pelo Instituto Trata Brasil? Por que essa diferença nas duas avaliações?
O ranking do Instituto Trata Brasil usa os dados do SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), que é um órgão do Ministério das Cidades. Toda a companhia de saneamento deve enviar para o governo federal, no início do ano, os dados referentes ao fechamento do exercício anterior. Por isso, os dados disponibilizado no sistema do Sinisa referem-se aos de dois anos antes. Sendo assim, o ranking do Trata Brasil está sempre com dois anos de defasagem. Nós trabalhamos com informação em tempo real. Hoje tratamos 49% do esgoto. A média de 2025 foi 39%. Ao longo de 2026, projetamos um tratamento muito maior. Talvez, 59%, no final de 2026.
Por que a cidade não faz medições da qualidade das águas do Paraibuna? Não é responsabilidade do município? Isso não seria importante para avaliar a eficácia das iniciativas já implantadas?
O Paraibuna é um rio federal, então a responsabilidade de análise é do governo federal ou do IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas). Eles são os responsáveis, mas isso não impede a Cesama de fazer também. Assim que tivermos um percentual um pouco maior de tratamento, vamos fazer e poder mostrar para a população como o rio está saindo dessa doença crônica.
Quanto já foi investido no projeto de despoluição e qual o recurso necessário?
Temos um investimento grande do governo federal, o primeiro, na época R$ 62 milhões, se não me engano, um contrato de 2004/2005. Depois teve outro de R$ 70 milhões, totalizando R$ 130 milhões. Fazendo a correção, vai dar um valor muito superior a isso, não tenho esse valor corrigido, mas deve montar aí algo superior a R$ 200 milhões. No ano passado, só com recursos próprios, a Cesama investiu 30 milhões. Projetamos investir mais R$ 70 milhões em esgotamento sanitário, no próximo ano. Quando falamos em despoluição, nos referimos ao esgoto enviado para estação de tratamento, à manutenção das redes, ao sistema de separação – água pluvial e esgoto – e uma série de outros serviços necessários. Temos que falar também no investimento da Cesama, em conjunto com a prefeitura, no programa de regularização fundiária (REURB), de legalização de áreas que não têm hoje coleta de esgoto. O esgoto dessas moradias é lançando em fossas, poluindo o lençol freático.
Como o cidadão pode acompanhar a aplicação dos recursos e a evolução da obra? Existe algum painel público atualizado?
Tudo o que a Cesama faz está no Portal da Transparência. Mas acho que nem todo mundo entra no site da Cesama ou procura no portal para saber o que estamos fazendo. A ideia do painel é boa para quem quiser acompanhar o quanto de esgoto estamos tratando. Podemos fazer um painel de investimentos e colocar também a porcentagem de esgoto tratado. É uma boa sugestão.
Para o senhor, o quanto é importante devolver a dignidade e a integridade ao rio Paraibuna?
O nosso maior objetivo é esse, dar à população uma qualidade de vida de poder, inclusive nadar no Paraibuna. A prefeitura tem um projeto muito bonito que é a revitalização das margens do rio, inclusive, estamos apresentando o projeto ao BNDES para financiamento, transformando as suas margens em áreas de lazer e de convivência com Soluções Baseadas na Natureza.
E quanto aos programas de educação ambiental e de conscientização da população?
Sim, isso é muito importante. Há um percentual da verba que precisa ser aplicado em educação e mobilização social. Temos uma equipe de trabalho técnico-social, que faz esse trabalho nas comunidades, inclusive, que estão recebendo as obras. Fica cada vez mais claro que esse trabalho tem que ser feito na escola, com as crianças, porque são elas que vão, na realidade, ter a oportunidade de vivenciar o rio despoluído. Temos tentado convênios para ampliar o programa, mas ainda não tivemos sucesso.
O projeto de despoluição está sendo tratado por essa administração como prioridade?
É importante deixar claro que o projeto de despoluição do Paraibuna começou lá atrás. Então, todas as administrações que passaram se preocuparam um pouco com a despoluição. Sou funcionário de carreira, ano que vem completo 39 anos de Cesama, tive a oportunidade de acompanhar essa evolução de perto. Com recursos próprios e financiamento, essa administração tem trabalhado muito para seguir em frente com o projeto. Talvez, com recursos próprios, seja a administração que mais está investindo na despoluição do Paraibuna. Estamos chegando ao final da instalação dos interceptores, nas margens do rio, e agora precisamos colocar esgoto nesses interceptores para mandar para as estações de tratamento.
As obras foram iniciadas em 2013, com previsão de conclusão em 2015. São 10 anos de atraso. O que aconteceu? Por que os prazos não foram cumpridos?
Tivemos uma paralisação nesse projeto, não sei se lembram, em 2006, 2007, quando os recursos federais para a realização dessas obras foram interrompidos e só retomados em 2013. Além disso, estamos falando de uma cidade de 175 anos que não foi projetada para isso. Como fazer a separação em todo o centro histórico de Juiz de Fora – onde praticamente é lançada a maior parte do esgoto não-tratado – fazendo obras e intervenções em vias como as avenidas Rio Branco e Itamar Franco, nas ruas do centro, na Halfeld? É uma coisa muito difícil. Em cidades projetadas como Belo Horizonte e Uberlândia, por exemplo, isso é muito mais fácil. Juiz de Fora cresceu desordenadamente, sem planejamento. Por isso, fazer a separação e a coleta do esgoto direcionando para as estações de tratamento é um trabalho árduo, difícil de ser feito e demanda muito mais investimento. Não teríamos tempo hábil para fazê-lo numa administração, por exemplo. Então, além do problema do recurso, temos o problema técnico e de tempo, numa cidade com 175 anos, no qual o sistema inicial era um sistema misto de água pluvial conjugado com o esgotamento sanitário. É por isso que vemos os córregos canalizados da cidade, principalmente o córrego Independência, que fica abaixo da Avenida Itamar Franco.
Quanto tempo mais será necessário para concluir? Algum prazo?
Vamos colocar o término como o prazo máximo estabelecido pelo Marco Legal de Saneamento, que é 2033, chegar com 90% do esgoto tratado. Mas temos a meta de chegar ao final dessa administração, em 2028, com 75% do esgoto tratado. É uma meta difícil, mas vamos fazer de tudo para alcançá-la.
Os córregos foram incluídos no projeto?
Quando Itamar Franco fez as obras do córrego Independência, à época, não se preocupava com o tratamento, com a separação do esgoto sanitário. Por isso, hoje, nós temos que tratar todo o esgoto do córrego Independência, mesmo sem a implantação dos coletores nas suas margens. Fazemos isso com um barramento na sua foz no rio Paraibuna. Tudo que corre no Independência hoje, exceto no período chuvoso, é esgoto praticamente puro. Então interceptamos isso na foz do córrego e enviamos para a estação de tratamento. Estamos finalizando agora os interceptores, ao longo do Paraibuna, para que eles sejam direcionados às estações elevatórias que, por sua vez, ou vão mandar para a ETE Barbosa Lage ou para a ETE União Indústria. Então, o projeto segue conforme o original de construção desses interceptores. No caso dos córregos de São Pedro e do Matirumbide, estamos implantando, em suas margens, os coletores tronco, que vão, por sua vez, se ligar aos interceptores instalados no Paraibuna.
Qual é hoje o diagnóstico real da carga de esgoto doméstico que chega ao Paraibuna? Por que os dados da Cesama divergem tanto dos apresentados pelo Instituto Trata Brasil? Por que essa diferença nas duas avaliações?
O ranking do Instituto Trata Brasil usa os dados do SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), que é um órgão do Ministério das Cidades. Toda a companhia de saneamento deve enviar para o governo federal, no início do ano, os dados referentes ao fechamento do exercício anterior. Por isso, os dados disponibilizado no sistema do Sinisa referem-se aos de dois anos antes. Sendo assim, o ranking do Trata Brasil está sempre com dois anos de defasagem. Nós trabalhamos com informação em tempo real. Hoje tratamos 49% do esgoto. A média de 2025 foi 39%. Ao longo de 2026, projetamos um tratamento muito maior. Talvez, 59%, no final de 2026.
Por que a cidade não faz medições da qualidade das águas do Paraibuna? Não é responsabilidade do município? Isso não seria importante para avaliar a eficácia das iniciativas já implantadas?
O Paraibuna é um rio federal, então a responsabilidade de análise é do governo federal ou do IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas). Eles são os responsáveis, mas isso não impede a Cesama de fazer também. Assim que tivermos um percentual um pouco maior de tratamento, vamos fazer e poder mostrar para a população como o rio está saindo dessa doença crônica.
Quanto já foi investido no projeto de despoluição e qual o recurso necessário?
Temos um investimento grande do governo federal, o primeiro, na época R$ 62 milhões, se não me engano, um contrato de 2004/2005. Depois teve outro de R$ 70 milhões, totalizando R$ 130 milhões. Fazendo a correção, vai dar um valor muito superior a isso, não tenho esse valor corrigido, mas deve montar aí algo superior a R$ 200 milhões. No ano passado, só com recursos próprios, a Cesama investiu 30 milhões. Projetamos investir mais R$ 70 milhões em esgotamento sanitário, no próximo ano. Quando falamos em despoluição, nos referimos ao esgoto enviado para estação de tratamento, à manutenção das redes, ao sistema de separação – água pluvial e esgoto – e uma série de outros serviços necessários. Temos que falar também no investimento da Cesama, em conjunto com a prefeitura, no programa de regularização fundiária (REURB), de legalização de áreas que não têm hoje coleta de esgoto. O esgoto dessas moradias é lançando em fossas, poluindo o lençol freático.
Como o cidadão pode acompanhar a aplicação dos recursos e a evolução da obra? Existe algum painel público atualizado?
Tudo o que a Cesama faz está no Portal da Transparência. Mas acho que nem todo mundo entra no site da Cesama ou procura no portal para saber o que estamos fazendo. A ideia do painel é boa para quem quiser acompanhar o quanto de esgoto estamos tratando. Podemos fazer um painel de investimentos e colocar também a porcentagem de esgoto tratado. É uma boa sugestão.
Para o senhor, o quanto é importante devolver a dignidade e a integridade ao rio Paraibuna?
O nosso maior objetivo é esse, dar à população uma qualidade de vida de poder, inclusive nadar no Paraibuna. A prefeitura tem um projeto muito bonito que é a revitalização das margens do rio, inclusive, estamos apresentando o projeto ao BNDES para financiamento, transformando as suas margens em áreas de lazer e de convivência com Soluções Baseadas na Natureza.
E quanto aos programas de educação ambiental e de conscientização da população?
Sim, isso é muito importante. Há um percentual da verba que precisa ser aplicado em educação e mobilização social. Temos uma equipe de trabalho técnico-social, que faz esse trabalho nas comunidades, inclusive, que estão recebendo as obras. Fica cada vez mais claro que esse trabalho tem que ser feito na escola, com as crianças, porque são elas que vão, na realidade, ter a oportunidade de vivenciar o rio despoluído. Temos tentado convênios para ampliar o programa, mas ainda não tivemos sucesso.
