Predominante em JF, Mata Atlântica tem menos de 10% da área total protegida em unidades de conservação
Juiz de Fora conta com quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural, indica confederação

Bioma predominante em Juiz de Fora, a Mata Atlântica tem pouca proteção até mesmo em suas Unidades de Conservação (UCs) – e dados obtidos por meio de pesquisas acendem o alerta sobre sua fragilidade. De acordo com estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, apenas 12,86 milhões de hectares da vegetação se enquadram nesse cenário, o que equivale a 9,8% da área total abrangida pela Lei da Mata Atlântica.
Para chegar aos números obtidos, a fundação considerou toda a área de aplicação da Lei da Mata Atlântica e os polígonos das UCs nesse território. Além disso, eliminou e qualificou sobreposições entre as unidades (casos em que duas ou mais unidades ocupam o mesmo território) e analisou a representatividade ecológica das áreas, ou seja, o quanto abrigam as diferentes formações vegetais do bioma.
O levantamento também examinou os usos do solo dentro das UCs, identificando a presença de atividades como pastagens, agricultura e áreas degradadas em espaços que deveriam estar voltados prioritariamente à conservação. Como exemplo, quase 2 milhões de hectares das Unidades de Conservação da Mata Atlântica são áreas de pasto. Embora as áreas legalmente protegidas desempenhem um papel essencial na proteção do bioma, a fundação ressalta que a maior parte da vegetação nativa remanescente (mais de 80%) ainda está fora delas.
“A Mata Atlântica já produz mais da metade do alimento que vai para mesa, efetivamente, do brasileiro. E, para produção desses alimentos, a gente precisa, claro, de água, precisa de condições climáticas, precisa de serviços de polinização”, afirma Diego Martinez, coordenador de projetos do SOS Mata Atlântica.
Minas lidera ranking das UCs mais desflorestadas
Além disso, outra pesquisa da mesma fundação mostrou que cerca de 40% das áreas de florestas de Mata Atlântica dentro de Unidades de Conservação perdidas no Brasil (310ha) estavam em Minas Gerais (124ha). A UC que mais sofreu perdas foi o Parque Nacional da Serra da Bocaina, entre São Paulo e o Rio de Janeiro, com 68ha desflorestados.
O estudo acompanha fragmentos com mais de três hectares em áreas de mata madura e por isso é capaz de verificar a situação dos parques, florestas, reservas e outros tipos de UCs.
Unidades de Conservação
Como explica a SOS Mata Atlântica, as Unidades de Conservação são áreas legalmente instituídas para preservar a biodiversidade, garantir serviços ambientais fundamentais (como regulação do clima e abastecimento de água) e promover o uso sustentável dos recursos naturais.
No Brasil, são regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que as divide em duas grandes categorias: Proteção Integral, com uso humano restrito a atividades como pesquisa, turismo ecológico e educação ambiental, e Uso Sustentável, que busca conciliar conservação com outros usos e atividades humanas.
Minas Gerais possui quatro das 16 UCs brasileiras com maior perda de floresta (desflorestamento) em 2024. Ainda é o terceiro estado com maior área desmatada, com perda de 2.737 hectares. Apesar disso, segundo o MapBiomas, cinco dos seis biomas brasileiros registraram queda no desmatamento em 2024. A Mata Atlântica foi a única exceção, apresentando aumento de 2% em relação a 2023.
Na comparação com o ano anterior, a redução em 2024 foi de 32,4% na área desmatada e 26,9% sobre os alertas de desmatamento. Ao todo, foram desmatados em 2024 no Brasil 1.242.079 hectares e foram registrados 60.983 alertas no território nacional.
O estudo da SOS Mata Atlântica considerou que Juiz de Fora possui duas UCs: o Parque Estadual Mata do Krambeck e o Parque Natural Municipal da Lajinha. No entanto, de acordo com a Confederação Nacional de RPPNs, atualmente, Juiz de Fora conta com quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que são um tipo de Unidade de Conservação, as quais são: RPPN Vale de Salvaterra; RPPN Ondina; RPPN Habitat Engenharia; e RPPN dos Guedes.