[wp_slide_menu]

Em Minas Gerais, pesquisador descobre espécie inédita de libélula

Inseto foi encontrado dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias, no Sul de Minas 


Por Tribuna

21/06/2025 às 07h00

pesquisador
Com a revelação da nova espécie, as montanhas do Sul de Minas se consolidam como um importante refúgio da biodiversidade brasileira (Foto: Divulgação/Semad)

Uma nova espécie de libélula foi descoberta no Sul de Minas Gerais. O registro inédito aconteceu durante uma pesquisa conduzida pelo professor e pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IF Sul de Minas), Marcos Magalhães de Souza, em áreas de campos de altitude no município de Gonçalves, que pertencem a Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A espécie recebeu o nome de Brechmorhoga goncalvensis sp. nov. e reforça a importância ecológica dos insetos e os impactos da altitude sobre a biodiversidade. 

A nova libélula foi encontrada entre 1.250 e 1.670 metros de altitude, próxima a riachos de águas correntes e em meio à vegetação de mata mista da Mata Atlântica. O bioma, apesar de ser rico em biodiversidade, ainda é pouco explorado do ponto de vista entomológico. A descoberta faz parte do projeto de pesquisa “Ecologia e Diversidade de Insecta (Lepidoptera e Odonata) e Arachnida (Opilione) em Floresta Mista na Área de Proteção Ambiental Fernão Dias”. O objetivo do estudo é realizar um inventário da fauna local de borboletas, libélulas e opiliões, produzir um acervo fotográfico científico e analisar os efeitos da altitude sobre a biota da região.

O professor  Marcos Magalhães de Souza acredita que a descoberta da nova espécie não apenas contribui com a ciência, como também pode impulsionar o turismo sustentável. “Essa libélula se torna, simbolicamente, um mascote para o município de Gonçalves. Isso fortalece o valor conservacionista do local e sua atratividade como destino de ecoturismo”, analisa.

A pesquisa também reforça o papel das parcerias entre instituições públicas de ensino e pesquisa, sociedade civil e órgãos ambientais na conservação da biodiversidade. “É um exemplo de como o conhecimento científico pode se integrar à gestão das áreas protegidas e ao desenvolvimento sustentável das comunidades locais”, afirma o pesquisador.

Libélulas: sentinelas dos ecossistemas

As libélulas são consideradas bioindicadores ambientais de excelência. Suas ninfas, que vivem na água, são predadoras de outros organismos aquáticos, enquanto os adultos ajudam a controlar populações de insetos em ambientes terrestres. Essas características fazem das libélulas componentes-chave nas cadeias alimentares e na manutenção do equilíbrio ecológico.

Apesar de sua importância, os estudos sobre a diversidade e distribuição de libélulas no Brasil ainda são escassos. Por isso, pesquisas como esta são consideradas fundamentais para ampliar o conhecimento científico, guiar políticas de conservação e assegurar a proteção de habitats sensíveis como os ambientes de altitude.

Com a revelação da Brechmorhoga goncalvensis sp. nov., as montanhas do Sul de Minas se consolidam como um importante refúgio da biodiversidade brasileira — e lembram que ainda há muito a ser descoberto sobre os pequenos grandes habitantes de nossos ecossistemas.