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Conforto térmico e qualidade do ar estão entre os benefícios das áreas verdes nas cidades

Especialista explica como as árvores influenciam o clima e a saúde nos centros urbanos; conheça também opções de trilhas em JF


Por Maria Luiza Guimarães*

10/01/2026 às 07h00

Juiz de Fora passou a integrar, em 2024, o grupo das Cidades Árvore do Mundo ao ser reconhecida pelo programa Tree Cities of the World. O título é concedido anualmente pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO-ONU) e pela Fundação Arbor Day a municípios que demonstram compromisso com o cuidado, a gestão e a valorização das árvores e florestas urbanas.

Para alcançar o reconhecimento, a cidade precisou atender a cinco critérios essenciais: definição de responsabilidades, criação de normas, realização de inventários e diagnósticos, destinação de orçamento e promoção de ações de valorização das árvores. Em um cenário de urgência climática, relembrar esse título coloca em destaque um tema que vai muito além das bonitas paisagens: qual é o papel dos espaços verdes na qualidade de vida dos centros urbanos? 

Aliadas do clima

As áreas verdes e trilhas urbanas, segundo o biólogo Breno Moreira Motta, diretor do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), são espaços que ajudam diretamente a melhorar a qualidade do ar, sobretudo em regiões com grande circulação de veículos.

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Foto: Fivulgação / UFJF

Na prática, a vegetação funciona como um filtro natural. O especialista explica que as folhas das árvores retêm poeira, fuligem e fumaça, enquanto gases poluentes, como dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e ozônio, são absorvidos pelas plantas durante a fotossíntese. Quando bem posicionadas, áreas arborizadas próximas a ruas e avenidas movimentadas também ajudam a modificar a circulação do vento, o que contribui para dispersar os poluentes e reduzir sua concentração no ar.

Outro efeito importante está nas copas das árvores, que diminuem a poeira levantada do solo, comum em áreas asfaltadas e com tráfego intenso. Corredores verdes e trilhas vegetadas funcionam como barreiras naturais, dificultando a propagação direta dos poluentes. Além disso, a sombra das árvores e a liberação de vapor de água pelas plantas ajudam a refrescar o ambiente, reduzindo o calor excessivo nas cidades e, consequentemente, a formação de novos poluentes.

Fragmentos florestais que respiram com a cidade

Em Juiz de Fora, a presença de áreas verdes espalhadas pela cidade faz diferença no dia a dia de quem vive aqui. Breno ainda compartilha que espaços como a Mata do Krambeck, o Morro do Imperador e outros fragmentos florestais urbanos ajudam a equilibrar o ambiente e a tornar o clima mais agradável.

Conforto térmico e qualidade do ar estão entre os benefícios das áreas verdes nas cidades
Foto: Arquivo TM / Fernando Priamo

De acordo com o especialista, essas áreas contribuem para reduzir o calor excessivo, diminuem a incidência direta do sol e ajudam a manter temperaturas mais estáveis, evitando extremos térmicos. Ele explica que a vegetação também atua como um “pulmão” da cidade, ao capturar partículas de poluição presentes no ar e absorver gases contaminantes, além de favorecer a renovação do ar e manter a umidade em níveis mais elevados.

Outro benefício aparece quando chove. Os solos das áreas florestadas absorvem melhor a água, ajudando a regular o escoamento das chuvas e a reduzir riscos de enxurradas e assoreamento. Do ponto de vista ambiental, esses fragmentos mantêm habitats naturais, conectam diferentes áreas verdes da cidade e oferecem serviços importantes, como o armazenamento de carbono, a estabilização de encostas, espaços de lazer, ações de educação ambiental e a valorização da paisagem urbana.

Saúde e biodiversidade 

Esses espaços também impactam a saúde física e mental da população. Áreas arborizadas reduzem a exposição à poluição do ar e ao calor excessivo, fatores associados a doenças respiratórias e cardiovasculares. Além disso, incentivam a prática de atividades físicas, o convívio social e o contato com a natureza, contribuindo para a redução do estresse, da ansiedade e para a melhoria da qualidade de vida.

Essas áreas também são essenciais para a preservação da biodiversidade urbana. É graças aos fragmentos florestais que ainda temos, por exemplo, o privilégio de encontrar exemplares da Mata Atlântica em meio à cidade, com aves, pequenos mamíferos, insetos e uma grande diversidade de plantas. Essas áreas funcionam como refúgios naturais, garantindo abrigo, alimento e locais de reprodução para a fauna e a flora. Ao manter polinizadores, dispersores de sementes e predadores naturais, contribuem para o equilíbrio ecológico e fortalecem a capacidade dos ecossistemas urbanos de resistir às pressões da urbanização.

Conheça espaços verdes em JF

Em Juiz de Fora, há diferentes espaços verdes abertos à visitação.

Conforto térmico e qualidade do ar estão entre os benefícios das áreas verdes nas cidades
Foto: Felipe Couri

Pico Cabeça de Formiga

Localizada entre Juiz de Fora e os municípios de Bias Fortes, Valadares e Lima Duarte, a trilha do Pico Cabeça de Formiga é conhecida principalmente pela vista ao final do percurso, um dos principais atrativos para os visitantes. O acesso é feito pela BR-267, no sentido Lima Duarte, até o distrito de Dias Tavares. O pico fica na Serra da Saudade, no km 139 da rodovia, e a visitação tem taxa.

 

 

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(Foto: Jéssica Pereira)

 

Trilha do Cristo (ou do Tostão)

Uma das trilhas mais conhecidas da cidade, a Trilha do Cristo liga o Morro do Cristo à Rua Constantino Paleta. Com cerca de 850 metros, o acesso é pela Serra de Grama, no sentido da MG-353, seguindo em direção ao Parque Independência até o ponto onde a trilha se inicia.

Trilha da Remonta

Indicada para quem busca um percurso mais desafiador, a Trilha da Remonta tem cerca de 38 quilômetros e é bastante frequentada por ciclistas. O trajeto inclui uma descida em meio à natureza que leva a um ponto conhecido como “Prainha”. O acesso ocorre pelo bairro Grama, nas proximidades do Parque Independência, seguindo pela via principal até o início da trilha.

*Estagiária sob a supervisão da editora Gracielle Nocelli