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Projeto ‘Moleque no Viveiro’ promove educação ambiental a alunos de Lima Duarte e região

Iniciativa do IEF, que nasceu de forma espontânea, resultou no plantio de milhares de árvores com crianças e jovens. Objetivo, agora, é transmitir, em tempo real, o plantio de mais de 2 mil mudas na COP 30 


Por Nayara Zanetti

05/07/2025 às 07h23

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Projeto Moleque no Viveiro acontece há quase 30 anos, oferecendo educação ambiental a crianças e jovens do interior de Minas. (Foto: Arquivo pessoal)

Há quase 30 anos, o projeto “Moleque do Viveiro” leva educação ambiental para crianças e jovens de escolas do interior de Minas Gerais. Tudo começou por acaso, lá em 1996 no Vale do Mucuri, mais precisamente no município de Carlos Chagas, por meio de uma vontade pessoal do engenheiro florestal do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Tales Fonseca. A primeira ação foi uma atividade de plantio. Hoje, já são mais de dez mil árvores plantadas e cerca de três mil estudantes impactados. Atualmente, a iniciativa trabalha com alunos de escolas de Lima Duarte e região, que visitam viveiros no Parque Estadual da Serra Negra da Mantiqueira, onde Tales é gerente, além de realizar plantios em propriedades locais. 

Tales, que atua no IEF desde 1993, percebeu que levar os alunos para o viveiro e envolvê-los diretamente no processo de plantio tornava conceitos como fotossíntese e reprodução de plantas mais claros. Mas, para além disso, a ação demonstrou ser transformadora. “Quando a pessoa vê, ouve e faz, o processo pedagógico envolvido é muito forte. Isso realmente gera uma mudança de comportamento”, explica. Os alunos participam de alguma atividade cotidiana do viveiro, mas também são motivados a fazerem algum trabalho ambiental dentro ou fora de sua escola, tudo de acordo com a direção da mesma. 

O idealizador comenta que gosta de abordar questões locais para criar senso crítico e consciência ambiental maiores nos jovens, com vivências próximas a eles. “Os alunos passam a ter uma percepção diferente das coisas e se transformam em agentes multiplicadores.” O projeto, que não possui financiamento fixo e opera com base em parcerias com produtores rurais e patrocínios pontuais, além de fomento do IEF, já alcançou resultados notáveis. Em regiões como Carlos Chagas, a iniciativa contínua com os jovens contribuiu para a diminuição de um problema cultural grave: as queimadas. “Ao longo do tempo, observamos que o hábito cultural da queimada foi se esvaindo. Tivemos uma mudança muito positiva”, relata o engenheiro. 

Há escolas que estão protegendo nascentes, produzindo mudas, realizando atividades de jardinagem e plantio de mata ciliar, entre outras. Para Tales, o impacto é medido não apenas pelas milhares de árvores plantadas, mas pelas “sementes plantadas na cabeça desses meninos”. O projeto já inspirou alunos a criarem suas próprias iniciativas, como o “Adote uma Muda”. Apesar do foco em escolas, a iniciativa é aberta a todos e já recebeu grupos de idosos e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). 

Projeto Moleque no Viveiro na COP 30 

Agora, o “Moleque no Viveiro” se prepara para seu maior passo. Está em planejamento um evento para novembro de 2025, que prevê o plantio de duas mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em duas localidades mineiras: nos vilarejos de São José dos Lopes e do Mogol. A intenção é conseguir transmitir a ação em tempo real para a Conferência do Clima da ONU (COP 30), com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado. 

“É um sonho, uma maluquice também, num certo sentido”, admite Tales, que coordena a maior parte do projeto sozinho, mas conta com uma rede de colaboradores e parceiros que “abraçam a causa”. A transmissão para a COP busca dar maior visibilidade à iniciativa, na esperança de atrair financiamento para ampliar seu alcance, contratar monitores e atingir mais escolas e municípios. 

A proposta é de que sejam plantadas 2 mil mudas com uma diversidade de até 40 espécies, metade no distrito de Lopes e a outra no Mogol. Nos Lopes, a iniciativa vai acontecer na propriedade de um outro projeto social, o Clube Up, que tem o propósito de promover inclusão e desenvolvimento de pessoas com necessidades específicas. Francisco Altomar Neto, que é responsável pela ONG ao lado de sua esposa Jamily Fazza, comenta que a ação vai contribuir para o projeto de reflorestamento do local, que também busca trabalhar educação ambiental com a comunidade. 

Para o proprietário que cedeu a terra para o reflorestamento, a iniciativa vai muito além do plantio. Ele ressalta a importância crucial de criar corredores ecológicos, argumentando que “pequenas manchas reflorestadas, sem conexão uma com a outra, têm uma qualidade ambiental baixíssima”. O objetivo, segundo Francisco, é formar áreas extensas onde o ecossistema possa operar plenamente, permitindo que a fauna prospere e a floresta se torne mais exuberante. “É fundamental que as pessoas se conscientizem e partam para a atitude de reflorestar, preservando nascentes e ampliando a área reflorestada para criar conexões entre as manchas de florestas”, diz. 

Essa recuperação de florestas, no entanto, está diretamente ligada a uma mudança de consciência. Ele vê o projeto como uma forma de fazer com que os jovens, os verdadeiros “protagonistas”, entendam que o planeta é a “nossa casa” e que ela está “muito mal cuidada”. Ao envolver as crianças, a iniciativa busca plantar uma semente de responsabilidade que possa sensibilizar também os pais, iniciando um ciclo de cuidado para as novas gerações. 

“O Projeto Moleque no Viveiro segue crescendo, inspirando novas gerações e mostrando que plantar árvores é também plantar consciência, cidadania e futuro”, finaliza Tales.