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Breve análise da ausência do nome do pai na certidão de nascimento do filho

O número de crianças registradas apenas com o nome da mãe ainda é alto no Brasil.

Por Simone Porcaro

Breve análise da ausência do nome do pai na certidão de nascimento do filho
Foto: Freepik

Ainda hoje existe, como sempre existiu, muitos pais ausentes, que simplesmente deliberam não reconhecer a paternidade.

Mas a ausência do nome do pai na certidão de nascimento da criança não é somente por negativa da paternidade.

Com a evolução do conceito de família, muitas mulheres optam por serem mães solo, utilizando de vários métodos para gestar um filho sem a participação do pai, como por exemplo, inseminação in vitro e reprodução assistida.

E não é somente isso!

Também as famílias homoafetivas, onde o registro da criança é composto por dupla maternidade, mostrando um reflexo da diversidade nas configurações familiares, é uma realidade crescente no país.

Mas, se a falta do nome do pai no registro de nascimento for por ausência desse, o reconhecimento pode ser feito no próprio Cartório de Registro Civil, sem a necessidade de uma decisão judicial, desde que haja concordância das partes envolvidas (mãe e pai). Esse reconhecimento pode ocorrer sendo o filho menor ou maior de idade.

Entretanto, se na fase administrativa para o reconhecimento da paternidade a questão não for resolvida, o próprio Cartório comunicará ao Judiciário para que seja iniciado o processo de investigação de paternidade.

Porém, essa iniciativa não se restringe ao Cartório de Registro Civil. Também a mãe poderá ingressar com uma ação judicial de reconhecimento de paternidade, indicando o nome do suposto pai e, após o trâmite processual, havendo comprovação da paternidade, a sentença a reconhecerá e determinará a inclusão do pai no registro de nascimento do filho.

Não é demais alertar para os danos que o abandono dos pais pode causar nos filhos, que podem carregar consigo, ao longo da vida, problemas psicológicos, tais como: baixa autoestima, dificuldade em criar vínculos afetivos e confiar nas pessoas, sentimento de culpa e rejeição, além de dificuldades escolares e maior propensão a problemas como ansiedade, depressão e instabilidade emocional.

A ausência paterna também impõe à mãe danos de natureza psíquica e financeira, pois esta passa a assumir sozinha a responsabilidade de criar e educar o filho.

Para que isso não ocorra a mãe precisa buscar orientação jurídica para o reconhecimento da paternidade e compartilhamento com o pai das responsabilidades na criação dos filhos.

Fico por aqui. Até a próxima.

Simone Porcaro

Simone Porcaro

Advogada há 31 anos atuando em Juiz de Fora e em vários Estados da Federação nas áreas do Direito Civil, Direito do Consumidor, Direito de Família, Direito Público entre outras. Filósofa formada pela UFJF. Participo do quadro "Em dia com a lei" a muitos anos, inicialmente transmitido pela Rádio Solar e atualmente pela rádio transamérica.

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