
Estou curtindo uns dias de férias, e como faço há 38 anos, fui mais uma vez até Piúma, no litoral Sul do Espírito Santo. A cidade está bonita e sua orla está sendo reformada: calçada, ciclovia, pavimentação, iluminação, restinga e o melhor: o visual do Monte Agha continua lá, emoldurando o cenário, junto às três ilhas que compõem a enseada que recebe muitos turistas mineiros e capixabas e suas famílias, especialmente crianças, para aproveitar suas águas quentes e mansas. Verdade é que, depois de tantos anos, eu agora aproveito também pra rodar pela região indo até Iriri, Castelhanos, Marataízes e Guarapari e suas quase infinitas opções de praias. Isso durante o dia, pois a noite é impossível não ficar em Piúma, que concentra as atrações de comércio, lazer feirinhas, bares, restaurantes e shows ótimos para aproveitar a cidade.

E assim, já sabedor das mais variadas opções noturnas da orla, aproveitei para entrar cidade adentro em busca do que mais gosto: um botequim local em que o piumense se sinta a vontade. No Bairro Limão, descobri primeiro o Bagre, depois a Taninha (esses dois posteriormente migraram ou abriram filial na orla) e por fim o Bar do Tanibe. Um ilustre cidadão que me recebeu com cortesia e com muita história: nasceu ali, no endereço onde fica o bar, em casa mesmo, como era comum há 68 anos atrás.

Foi pescador, antes de abrir o bar, e conta muitas histórias verdadeiras, como a de que Piúma é uma ilha, cercada pelo rio e pelo mar, que os mangues altos, que agora dominam o ambiente do rio, não dão caranguejo, que o assoreamento atrapalha a navegação. Conta ainda que o Peroá, pescado abundantemente no passado, sumiu mais uma vez das redes. Mas há esperança de ele voltar a aparecer por lá permanece. Ainda mais agora, que Tanibe decidiu, nos últimos quinze anos, deixar de enfrentar o oceano para tocar seu bar, que merece destaque pelas belas porções e petiscos, sempre recomendados pelos moradores da cidade. O bolinho de peixe, que é vendido em unidade, sempre preparado na hora, é o carro chefe. Bem temperado, casquinha fina e recheio suculento de peixe desfiado. Fica ótimo com umas gotinhas de limão. Ele lembra o bolinho de carne típico dos nosso botequins em formato de disco, e é impossível comer um só de tão gostoso.

O Camafeu de camarão é outro prato muito requisitado por lá, assim como os demais peixes e frutos do mar, sempre tudo fresquinho e muito bem preparados. Risotos, moquecas, postas de peixe ou iscas em porções generosas completam o cardápio.
Tanibe é um sujeito trabalhador, e resistente: já fez safena, operou o quadril, carrega um marcapasso e recentemente teve um AVC que debilitou o nobre dono de bar, mas não tirou ele da função diária e nem seu brilho nos olhos ao atender seus clientes e contar sua história, que eu replico um pouquinho aqui só pra recomendar a visita do leitor à cidade e ao buteco. Indo ao ES, não fique só na orla, entre pela cidade e aproveite também os butecos de Piúma. Você vai se surpreender e curtir muito o que eles tem a oferecer. Aproveite o fim de tarde, abra uma cerveja gelada, peça o Bolinho de Peixe e aprecie a revoada das garças na beira do rio. Você vai querer voltar sempre. Saúde!





