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O que é Nolt? Conheça movimento de combate ao etarismo no mercado de trabalho

Especialista explica como o preconceito por idade ainda afeta contratações e carreira


Por Mariana Souza*

01/02/2026 às 07h00

Juiz de Fora vive um processo acelerado de envelhecimento populacional, e o etarismo no mercado de trabalho tem se tornado parte do debate sobre maturidade e oportunidades profissionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2022, mostram que o índice de envelhecimento do município chegou a 89,20, acima da média brasileira (55,24). O cenário indica uma mudança na estrutura etária e amplia o debate sobre como a sociedade enxerga e acolhe a maturidade.

O índice de envelhecimento em Juiz de Fora indica que há 89,20 pessoas com 65 anos ou mais de idade para cada 100 crianças de 0 a 14 anos.

Nesse contexto, uma ideia que ganhou força nos Estados Unidos começa a repercutir também no Brasil: o New Older Living Trend (Nolt). Mais do que um termo, o conceito aponta para uma transformação cultural. Pessoas com 60 anos ou mais passam a se reconhecer como ativas, produtivas e protagonistas, recusando rótulos que associam idade à perda de autonomia ou ao “fim de linha”.

Em entrevista ao programa Tribuna no Ar, da Rádio Antena 1, a headhunter e palestrante Esther Morgan explicou que o Nolt reúne pessoas mais velhas que já não se identificam com a imagem tradicional de “idoso” construída socialmente. “São pessoas com mais de 60 anos que levam um estilo de vida muito mais produtivo”, resumiu.

Para ilustrar essa mudança, ela citou exemplos que ganham repercussão e ajudam a desconstruir a ideia de fragilidade automática na velhice. Natalie Grabow, de 80 anos, por exemplo, tornou-se a mulher mais velha a concluir o Campeonato Mundial de Ironman, realizado em Kona, no Havaí. Na avaliação da especialista, o movimento acompanha a própria longevidade: as pessoas vivem mais e, em muitos casos, com mais energia e autonomia.

Mercado mira o público 50+

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Esther Morgan afirma que preconceitos sobre idade não são fatos, mas estereótipos (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo Morgan, um dos sinais mais claros dessa transformação é o crescimento da economia prateada, expressão usada para designar o conjunto de produtos, serviços e estratégias voltados ao público 50+ e, principalmente, 60+. Ela avalia que empresas passaram a olhar com mais atenção para esse consumidor ao perceberem seu potencial de compra e sua presença em diferentes segmentos, do lazer ao mercado de luxo.

Na entrevista, a headhunter afirmou que esse público concentra poder aquisitivo relevante e citou estimativas de movimentação expressiva no país. Um estudo – realizado pela consultoria Data8 – estima que o público 50+ movimenta R$ 2 trilhões por ano no Brasil. A pesquisa ainda aponta que esta faixa etária é responsável por 23% do consumo de bens e serviços no País. 

Para a especialista, o marketing teve papel decisivo ao reformular a “persona” e abandonar a imagem do “velhinho” passivo: esse consumidor está na academia, circula, compra e busca experiências. Essa mudança, disse, passa a aparecer também na publicidade e na moda, com a presença crescente de pessoas acima de 60 e 70 anos em campanhas e passarelas.

Etarismo persiste

Apesar da mudança cultural em curso, Morgan ponderou que o etarismo ainda é um obstáculo forte, especialmente no mercado de trabalho. Ela relatou que passou a se dedicar ao tema após perceber, como headhunter, a quantidade de pedidos de ajuda de profissionais acima de 50 anos com dificuldade de recolocação e relatos de exclusão por idade.

Na avaliação da especialista, o preconceito aparece em suposições sobre produtividade, adaptação tecnológica e capacidade de atualização. “Existem vários preconceitos que fazem com que eles não acreditem que nós somos capazes de viver, de trabalhar e de sermos produtivos no mundo atual… mas é preconceito, não é fato”, afirmou.

Carreira longa exige estratégia

Como orientação para quem ainda não chegou à maturidade, Morgan defendeu planejamento, especialmente financeiro, e a construção de um “plano B” para o futuro profissional. Ela argumentou que, com o avanço da idade, despesas tendem a crescer, como gastos com saúde, ao mesmo tempo em que oportunidades podem diminuir em um mercado que ainda discrimina.

Para quem já está nessa fase, a recomendação foi não interromper projetos e investir em atualização, com estudo, novas tecnologias e convivência entre gerações. No entendimento dela, combater o etarismo passa também por estimular a diversidade etária, inclusive dentro das equipes.

Ela ainda direcionou um recado às empresas: em um contexto em que muitas relatam dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, ampliar o olhar para profissionais mais velhos pode ser parte da solução. “Olhem para os velhinhos”, disse, ao defender que maturidade pode significar mais comprometimento, inteligência emocional e experiência na resolução de conflitos.

*Estagiária sob a supervisão do editor Bruno Kaehler

Tópicos: etarismo / nolt